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Carta de Ano Bom

Casimiro Cunha


Encher de luz todo o tempo. Da bênção de cada instante


Entre um ano que se vai E outro que se inicia, Há sempre nova esperança, Promessas de Novo Dia...

Considera, meu amigo, Nesse pequeno intervalo, Todo o tempo que perdeste Sem saber aproveitá-lo.

Se o ano que se passou Foi de amargura sombria, Nosso Pai Nunca está pobre Do pão de luz da alegria.

Pensa que o céu não esquece A mais ínfima criatura, E espera resignado O teu quinhão de ventura.

Considera, sobretudo Que precisas, doravante, Encher de luz todo o tempo Da bênção de cada instante.

Sê na oficina do mundo O mais perfeito aprendiz, Pois somente no trabalho Teu ano será feliz.

Não esperes recompensas Dos bens da vida terrestre, Mas, volve toda a esperança À paz do Divino Mestre.

Nas lutas, nunca te esqueças Deste conceito profundo: O reino da luz de Cristo Não reside neste mundo.

Não olhes faltas alheias, Não julgues o teu irmão, Vive apenas no trabalho De tua renovação.

Quem se esforça de verdade Sabe a prática do bem, Conhece os próprios deveres Sem censurar a ninguém.

Ano Novo!... Pede ao Céu Que te proteja o trabalho, Que te conceda na fé O mais sublime agasalho.

Ano Bom!... Deus te abençoe No esforço que te conduz Das sombras tristes da Terra Para as bênçãos de Jesus.


XAVIER, Francisco Cândido. Cartas do Evangelho. Pelo Espírito Casimiro Cunha. LAKE.

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