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DEUS - PARTE 2

DEUS - PARTE 2

OBJETIVOS:
•Apresentar Deus nas várias concepções ao longo da história da humanidade
•Compreender a relação entre Deus e o infinito conhecendo os atributos da divindade – Deus

APRESENTAR DEUS NA VÁRIAS CONCEPÇÕES AO LONGO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

A ideia de Deus que, intuitivamente, foi sendo formada no cérebro humano, evoluiu ao mesmo tempo em que o homem também evoluiu física, intelectual e socialmente.

A necessidade de sobrevivência do homo sapiens, fisicamente inferior a outras espécies, inclusive de “humanos” primitivos, fez com que ele desenvolvesse a “imaginação” – tentar imaginar o que o outro estava pensando era crucial num ambiente que, segundo alguns estudiosos, há 200 mil anos, era cheio de intrigas, fingimentos e traições. Eles tentavam, por meio da imaginação, prever as intenções uns dos outros e quem se saia melhor nesse jogo tinha melhores resultados.

Essa imaginação também fez com que o homem visualizasse que atrás de fenômenos naturais com a chuva, o sol, a lua, o vento, etc., haveria alguém infinitamente mais poderoso – um Deus - surgindo aí às raízes instintivas da espiritualidade, chamada por alguns estudiosos de “infância de Deus”.
A mesma imaginação dava forma a esses deuses, onde se misturavam características humanas e animais, conforme é possível constatar em obras de arte de cerca de 30.000 anos.

Há 10.000 anos, no Oriente Médio, surgem as primeiras cidades, com a evolução da agricultura, e a percepção de espiritualidade acompanha essa evolução passando a centrar-se mais nas pessoas do que na natureza selvagem. Há indícios, inclusive, de que ancestrais mortos assumiam status divinos nessa época.

Vem dessa “humanização” das divindades as figuras dos deuses gregos e romanos. Tais “divindades”, apesar de seus poderes, no entanto, apresentavam traços fortes das paixões humanas e sempre refletiram as suas fraquezas apresentando até mesmo certa crueldade em defesa do sentido de justiça.
Mesmo o Deus único adotado por alguns povos, era o deus que punia, que castigava e, ardilosamente, os líderes religiosos se aproveitaram dessa ideia de Deus para manipular e dominar os povos por muitos séculos, muitas vezes promovendo guerras e destruições em Seu nome.

A figura de Deus que para nós é mais conhecida é a de Jeová ou Javé, o Deus bíblico, retratado por Michelangelo no teto da Capela Sistina. O Deus que amparou a trajetória e a herança cultural de Moisés.

Se observarmos mais atentamente, essa ideia de Deus, apregoada por Moisés, era a única que poderia ser utilizada para os homens daquela época, pois era a única que eles eram capazes de compreender naquele momento.

Cerca de 1.500 anos depois de Moisés, nasce Jesus trazendo uma ideia de Deus totalmente diferente e assinala um outro momento evolutivo da humanidade.

Nessa trajetória evolutiva da ideia de Deus, o papel da ciência passa a se destacar mais firmemente no final do século XIX, a partir da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin, a ponto de, com o passar dos anos, alguns cientistas chegassem a afirmar que, em breve tempo, a humanidade abandonaria a fé na existência de Deus diante das explicações científicas dos fenômenos naturais.

Entre o século XIX e o século XX, pensadores como Nietzsche, Marx, Freud, Sartre, entre outros, protagonistas do que viria a ser a “era da razão”, chegaram a defender a “morte” de Deus, o que “efetivamente” não ocorreu!! Pelo contrário, a humanidade, cada vez mais, vem buscando respostas que somente a crença de que há um Deus, uma energia, um “sagrado”, ou seja, qual for o nome que se dê, pode nos oferecer.

Por outro lado, são muitos os pensadores que admitem que ciência e religião ou fé na existência de Deus caminham paralelamente para chegarem a um ponto comum. Segundo o paleontólogo americano Stephen Jay Gould, citado por Cavalcante (2016), nenhuma teoria (nem mesmo a da evolução) pode ser vista como uma ameaça às crenças religiosas, “porque essas duas grandes ferramentas da compreensão humana trabalham de forma complementar, e não oposta: a ciência para explicar os fenômenos naturais e a religião como pilar dos valores éticos e da busca por um sentido espiritual para a vida”.

Observa-se, então, total convergência com o que apregoa Kardec que, no Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo I, afirma que a ciência e a religião são as alavancas da inteligência humana e que ambas têm o mesmo princípio que é Deus. A ciência revela as leis do mundo material e a religião as leis do mundo moral.

CONCEPÇÃO ESPÍRITA DE DEUS

Chegamos então à concepção de Deus que nos foi trazida por Kardec, transcrita na questão 1 do Livro dos Espíritos:
1. O QUE É DEUS?
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
4. ONDE PODEMOS ENCONTRAR A PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS?
Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.

COMPREENSÃO DA RELAÇÃO ENTRE DEUS E O INFINITO CONHECENDO OS ATRIBUTOS DA DIVINDADE

Continuando com os esclarecimentos do Livro dos Espíritos:
2. O QUE PODEMOS ENTENDER POR INFINITO?
O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.
3. PODERÍAMOS DIZER QUE DEUS É O INFINITO?
Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.
Deus é o infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela própria, é definir uma coisa que não é conhecida por uma outra igualmente desconhecida.
10. O HOMEM PODE COMPREENDER A NATUREZA ÍNTIMA DE DEUS?
Não, falta-lhe, para isso, um sentido.
11. UM DIA SERÁ PERMITIDO AO HOMEM COMPREENDER O MISTÉRIO DA
DIVINDADE?
Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor que o fundo das coisas e ele faz uma ideia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta.
13. QUANDO DIZEMOS QUE DEUS É ETERNO, INFINITO, IMUTÁVEL, IMATERIAL, ÚNICO, TODO PODEROSO, SOBERANAMENTE JUSTO E BOM, NÃO TEMOS UMA IDEIA COMPLETA DE SEUS ATRIBUTOS?
Do vosso ponto de vista sim, porque acreditais abranger tudo. Mas, ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente e que a vossa linguagem, limitada às vossas ideias e sensações, não tem condições de explicar”. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

CONCLUSÃO
Nesta aula foram abordadas algumas concepções sobre a existência de Deus ao longo da história, constatando-se que a ideia de Deus é intrínseca ao ser humano e nele se consolidou no decorrer do seu próprio processo evolutivo. Tendo, inicialmente, se evidenciado por meio das crenças religiosas e mesmo tendo sido objeto de negação por parte de alguns pensadores, um número cada vez maior de pesquisadores admitem que, hoje, ciência e religião caminham para uma opinião comum sobre tal existência.

A Doutrina Espírita nos define Deus como uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, ressaltando que a nossa linguagem e o nosso estágio evolutivo ainda não são suficientes para descrevê-lo ou explicá-lo.
Podemos, no entanto, senti-lo em nós e em tudo o que nos rodeia!

BIBLIOGRAFIA:
CAVALCANTE, Rodrigo. Procura-se por Deus. Super Interessante. 31 out 2016, 18h34 -
Publicado em 6 dez 2005, 22h00. Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/procura-sedeus/.
Acesso em 12 mar. 2019.
CHOPRA, Deepack. Como conhecer Deus. Rio de Janeiro: Rocco, 2001
KARDEC, Alan. O Livro dos Espíritos. Questões 1 a 16
KARDEC, Alan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo 1 – Eu não vim destruir a lei.
MOTA JR., Elizeu. O que é Deus. 3 ed. Matão (SP): O Clarim, 1997.


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