AULA 14 - SUICÍDIO

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Conteúdo da Aula

Setembro foi escolhido o mês para falarmos sobre este assunto delicado, mas devemos falar e conscientizar o ano todo.
Juntos em esforços unidos para combater, conscientizar e acolher. Nunca é tarde para falar e agir.
Por isso nesta página reunimos um especial de nossas sessões, um misto de Estudo Sistematizado e Atualidades.
Leia nosso texto acesses os links sugeridos e precisando estamos aqui.

OBJETIVOS
Compreender o significado do suicídio, citando suas causas e consequências diante do conhecimento da Doutrina Espírita. Para isso, definiremos o que é suicídio, citando suas causas.
Explicaremos as consequências do suicídio, apontando atitudes adequadas para a sua prevenção e indicar como ajudar aqueles irmãos que escolheram essa saída e como orientar seus familiares.

CONCEITO
Define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas.
Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador, vindo a ser uma transgressão da Lei Divina.

ESTATÍSTICAS
No final do ano de 2014 a (OMS) Organização Mundial da Saúde emite um relatório apontando o Brasil na oitava posição em número de suicídios, com mais de 11,2 mil casos. Informando ainda que para o ano 2015 estima-se que esse número venha a ter uma crescente em torno de 10% a 20% nos casos. O suicídio trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade, entretanto, há uma estimativa de 10 a 20 milhões de tentativas de suicídios não fatais a cada ano em todo o mundo.

LEITURA INICIAL
No livro Conduta Espírita, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, ditado pelo espírito André Luiz, temos;

PERANTE O CORPO
Cultivar a higiene pessoal, sustentando o instrumento físico qual se ele fosse viver eternamente, preservando-se, assim, contra o suicídio indireto.
O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne.
Precatar-se contra tóxicos, narcóticos, alcoólicos, e contra o uso demasiado de drogas que viciem a composição fisiológica natural do organismo.
Existem venenos que agem gota a gota.
Conduzir-se de modo a não se exceder em atitudes superiores à própria resistência, nem confiar-se a intempestivas manifestações emocionais, que criam calamitosas depressões.
O abuso das energias corpóreas também provoca suicídio lento.
Distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-la contra os desvios suscetíveis de corrompê-la.
O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma.
Fugir de alimentar-se em excesso e evitar a ingestão sistemática de condimentos e excitantes, buscando tomar as refeições com calma e serenidade.
Grande número de criaturas humanas deixa prematuramente o Plano Terrestre pelos erros do estômago. Sempre que lhe seja possível, respirar o ar livre, tomar banhos de água pura e receber o sol farto, vestindo-se com decência e limpeza, sem, contudo, prender-se à adoração do próprio corpo.
Critério e moderação garantem o equilíbrio e o bem-estar.
Por motivo algum, desprezar o vaso corpóreo de que dispõe, por mais torturado que ele seja. Na Terra, cada Espírito recebe o corpo de que precisa.
“Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”. - Paulo. (I CORÍNTIOS, 6:20.)

DESENVOLVIMENTO
Buscando respostas na codificação da doutrina espírita compreenderemos que o suicídio é tido como um crime aos olhos de Deus (Céu e Inferno, cap. 5), e que importa numa transgressão da Lei Divina (Livro dos Espíritos, pergunta 944), vindo a constituir sempre uma falta de resignação e submissão à vontade do Criador (Livro dos Espíritos, pergunta 953-a). Desse modo, “Jamais o homem tem o direito de dispor da vida, porquanto só a Deus cabe retira-lo do cativeiro da Terra, quando o julgue oportuno. O suicida é qual o prisioneiro que se evade da prisão, antes de cumprida a pena; quando preso de novo, é mais severamente tratado. O mesmo se dá com o suicida que julga escapar às misérias do presente e mergulha em desgraças maiores” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII, item 71).

Em o “Livro dos Espíritos” temos:
Questão 943. Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?
Resposta: Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
Questão 944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?
Resposta: Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.
a) Não é sempre voluntário o suicídio?
Resposta: O louco que se mata não sabe o que faz.
Devemos considerar a questão do suicídio indireto ou não premeditado, que é aquele em que o indivíduo pelos desregramentos a que se permite, embora sem a menor intenção de se matar, atenta contra a sua organização física e psíquica, pelos meios mais diversos como: álcool, droga, tabaco, os excessos alimentares e a ausência do alto domínio, a inadvertência com o trato com os semelhantes dando vazão para irritação, a cólera, a impaciência, etc..
Questão 950 - Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?
Resposta - Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma ideia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos.
Questão 957. Quais, em geral, com relação ao estado do Espírito, as consequências do suicídio?
Resposta: Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interrompeu.
Em “O Céu e o Inferno” temos:
Allan Kardec diz o seguinte: "Ninguém tem o direito de dispor de sua vida, porque ela lhe foi concedida visando aos deveres que teria de cumprir na Terra. Por isso, não deve abreviá-la sob pretexto algum. Visto possuir o livre-arbítrio, ninguém pode impedi-lo de fazê-lo, mas terá de sofrer as consequências. O suicídio mais severamente punido é o cometido por desespero, no propósito de fugir das misérias da vida. Sendo estas, ao mesmo tempo, provações e expiações, furtar-se a elas, é recuar diante da tarefa que se impôs..."
Em “O Problema do Ser do Destino e da Dor”, Léon Denis esclarece:
“Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; a razões para viver são de ordem eterna e sobre-humana.”

PORQUE O SUICÍDIO ACONTECE? VISÃO DA CIÊNCIA
Para a ciência, as causas do suicídio podem estar relacionadas a distúrbios psicossociais, e segundo levantamento feito peça OMS – organização mundial da saúde, a grande causa para o suicido, decorre de vários fatores, depressão, desequilíbrios neuropsíquicos, além de fatores ambientais, socioeconômicos, genéticos e familiares como exclusão, dependência química, desesperança e traumas emocionais, transtorno bipolar, esquizofrenia, anorexia e desvios de personalidade.
Mesmo com o avanço significativo da ciência médica, algumas manifestações permanecem obscuras no campo da psicologia. A mente humana guarda mistérios ainda não desvendados.

Pesquisadores procuram responder o que leva o ser humano a desrespeitar o seu instinto de autopreservação. Também não é possível explicar, por exemplo, porque algumas pessoas que enfrentam as mesmas situações não cometem suicídio como fazem outras. Aos olhos da ciência, as causas do suicídio não estão totalmente esclarecidas.

É inegável a presença de tais componentes no ato suicida. Porém, justamente por ignorar o espírito imortal, confunde-se o efeito com a causa, atribuindo-se a um desarranjo fisiológico a responsabilidade por uma insensatez que decorre do livre arbítrio equivocado do espírito que o pratica. Se fosse assim estaríamos atribuindo ao corpo físico à origem de todas as nossas mazelas, quando o doente é a nossa alma.

O QUE AS RELIGIÕES FALAM SOBRE O SUICÍDIO?
Todas as religiões combatem o suicídio chegando mesmo, algumas delas, a negar ao suicida o direito ás orações em favor dos mortos. Os suicidas informam às religiões que adotam esse posicionamento radical, são rebeldes que se insurgiram contra a vontade de DEUS e não merecem qualquer consideração. Estão irremediavelmente perdidos sendo, pois inútil orar por eles. O espiritismo reconhece também que pôr fim a própria vida é falta grave, de tristes consequências, acrescentando contudo, que mesmo nessa situação permanece o Espírito sob a proteção divina que a todos nós envolve e conduz.

VISÃO ESPÍRITA SOBRE O SUICÍDIO
A doutrina espírita mostra o suicida como um irmão nosso que se enganou gravemente, tornando-se por isso credor de nossa compreensão e carinho.
O conhecimento espírita constitui poderoso antídoto para o suicídio, pois explica que: Todos os nossos problemas são passageiros e breves, se considerarmos a vida espiritual que é infinita. As dificuldades de hoje são resultado de nossa própria conduta. Será sempre possível através da oração obter ajuda dos amigos espirituais para superação das dificuldades.

O homem não é apenas corpo físico sua essência é o espírito. A vida é excepcional oportunidade de crescimento.

Aos familiares de pessoas que se suicidam O grande conforto que a Doutrina Espírita oferece os familiares de pessoas que se suicidaram, é a certeza de que DEUS não desampara a nenhum de seus filhos, por mais que estes se equivoquem e se desviem de suas soberanas leis. Ninguém está relegado ao sofrimento eterno, se assim fosse DEUS não seria infinitamente misericordioso, nem infinitamente Justo, portanto, não poderia ser DEUS. Assim, o sofrimento do suicida tem a duração necessária ao tempo para o arrependimento, seu reequilíbrio.

Para Refletir:
“O suicídio é o fracasso da coragem. ” (Santo Agostinho).
“O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos. ” (Vincent Van Gogh).
“Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; a razões para viver são de ordem eterna e sobre-humana.”
(O problema do ser do destino e da dor Leon Denis)

CONCLUSÃO
Analisando as respostas dadas pelos espíritos que conduziram a codificação, torna-se evidente a posição do espiritismo com relação ao suicídio. Toda forma de agressão contra a vida é uma violação das Leis Divinas, logo o suicídio é considerado uma infração gravíssima, pois o espírito coloca fim à oportunidade valiosa que lhe foi concedida para progresso moral e intelectual.

Para encerrar, uma reflexão dos ensinamentos passados por Joanna de Ângelis:
“Aguarda um pouco mais quando tudo te empurrar ao desespero. A divindade possui soluções que desconheces... Recupera hoje o desperdício de ontem sem pensares, JAMAIS, na atitude simplista do suicídio, que é a mais complexa e infeliz de todas as coisas que podem ocorrer ao homem. ” (Após a Tempestade – Joanna de Ângelis cap. 1).

BIBLIOGRAFIA

KARDEC, Allan, O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo.
KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo.
KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos.
XAVIER, Francisco Cândido, Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz.
DENIS, LEON,O Problema do Ser, do Destino e da Dor.