Nosso
Cérebro Espiritual
Sendo ouvinte assídua da Rede Boa Nova de
Rádio, da qual ouvimos boa parte de sua magnífica
e instrutiva programação, acompanhamos
muitas vezes o programa “Diálogos Médicos”,
da AME – Associação Médico
Espírita – onde a Doutora Marlene Nobre,
eminente pesquisadora do Espiritismo enquanto ciência
e religião, juntamente com seu brilhante colega,
Dr. Marco A Palmieri, busca explicar da forma mais
simples possível os ensinamentos de Emmanuel
no tocante à nossa saúde mental-espiritual
e ao nosso dia-a-dia, o que nos levou procurar mais
uma vez a literatura deste Espírito de Escol.
Segundo o que a Espiritualidade de a muito nos vem
mostrando e o que especificamente nos afirma Emmanuel,
no livro do mesmo nome, temos um Cérebro Espiritual
que como se fora um computador de última geração
registra zelosamente todas as experiências pregressas
e atuais, da qual faz parte a história de nossa
vida como um todo. Nele fica impresso para a eternidade
todo o desenrolar de nossas lutas, sejam elas de iniqüidades
ou de esforço com que através de nosso
livre arbítrio buscando acertar. Nesta psicografia
de Chico Xavier, Emmanuel enfatiza: “... a subconsciência
é o acervo de experiências realizadas
pelo ser em suas existências passadas. O Espírito
no labor incessante de suas múltiplas existências
vai ajudando as séries de suas conquistas,
de suas possibilidades, de seus trabalhos; no seu
cérebro espiritual organiza-se, então,
essa consciência profunda em cujos domínios
misteriosos se vão arquivando sempre o aperfeiçoamento
supremo.”
Pelos ensinamentos Espíritas, e ou, Espirituais,
sabemos que o ser, enquanto Espírito, necessita
de renascimentos múltiplos para que possa evoluir
e amparar arestas. Sabemos também que isto
seria impossível se não houvesse o esquecimento.
Obviamente todos passamos pelos caminhos tortuosos
do erro, e a lembrança deles, principalmente
dos mais contundentes, impediria, devido à
vergonha, remorso e outros sentimentos adversos, a
que tivéssemos ânimo para novos tentames
dentro de mais uma experiência encarnatória.
Por outro lado, o continuar dessa história
não poderia ficar ao léu e se perder
no espaço. Daí a Providência Divina
ter-nos concedido essa verdadeira “caixa registradora”
que é nosso cérebro espiritual, concedendo-nos
também um novo corpo, onde um novo cérebro
físico vai habitar no esquecimento das lembranças
menos dignas, tendo assim o ensejo de, através
do livre arbítrio, escrever um capítulo
melhor a cada nova oportunidade em que mergulhar no
corpo material.
Em o Livro dos Espíritos Kardec recebe uma
explicação dos Espíritos Venerandos
que vem “fechar com chave de ouro” o que
buscamos pesquisar: “...Mergulhando na vida
corpórea, perde o Espírito, momentaneamente,
a herança de suas existências anteriores,
como se um véu as cobrisse... O esquecimento
das faltas praticadas não constitui obstáculos
à melhoria do Espírito, porquanto, se
é certo que este não se lembra delas
com precisão, não menos certo é
que a circunstância de as ter conhecido na erraticidade
e de haver desejado repará-las o guia por intuição
e lhe dá a idéia de resistir ao mal...”
Tenhamos, pois, a certeza de que nossos dons e tendências
não são legados com que nos agraciaram
a Espiritualidade encarregada de nossa reencarnação,
muito menos nos foram ofertados pela hereditariedade.
Ao contrário, são resquícios
de nossas vivências anteriores, e é por
isto que cada um de nós desenvolve uma personalidade
diferente, é por isso ainda que dentro de uma
mesma família possa haver pessoas tão
diferentes. Tenhamos uma certeza ainda maior, se nos
atemos ao bem, se nos esforçamos pelo bem do
outro, jamais nos faltará à proteção
espiritual que nos acompanha desde o berço
nos caminhos de nossa evolução, o que
nos propiciará imprimir, desta feita, em nosso
Cérebro Espiritual uma versão muito
melhor.
Doracy Mércia de Azevedo
Mota
Emmanuel
/Francisco Candido Xavier -
Livro dos Espíritos/ Allan Kardec
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