Quando o matemático, físico e astrônomo
francês Pierre Simon de Laplace apresentou a Napoleão
Bonaparte a sua obra “Mecânica Celeste”,
no início do século XIX, o imperador comentou:
“Escrevestes este enorme livro sobre o sistema do mundo
sem mencionar uma só vez o Autor do Universo”.
Laplace respondeu com uma frase que ficou famosa: “Senhor,
não senti necessidade dessa hipótese”.
Este episódio ilustra bem a grande mudança que
ocorreu na passagem do século XVIII para o XIX. A Ciência
que até então guardava judiciosamente um lugar
para Deus no concerto do Universo, passava a proclamar, sem
meias palavras, que Ele já não era mais necessário.
Amit Goswami – indiano radicado nos Estados Unidos,
PHD em Física Quântica -, considerado um dos
mais importantes cientistas da atualidade, em entrevista no
Programa Roda Viva, da TV Cultura, respondendo ao físico
Carlos Ziller, um dos entrevistadores, abordou esse tema mostrando
que os fundadores da Física Clássica –
Isaac Newton, René Descartes e outros cientistas do
século XVI e XVII – propunham que Deus era uma
parte constitutiva e inseparável do mundo que eles
imaginaram, assim como já falavam Aristóteles
e Avicena*, mas depois, como citamos anteriormente, foi adotada
a idéia de um Deus humano, a Ciência então
o “expulsou” de suas teorias.
Goswami, em seu livro Universo Autoconsciente, procura demonstrar
que o Universo é matematicamente inconsistente sem
Deus, diz, também, que se estes estudos se desenvolverem
logo no início do 3º milênio Deus será
objeto da ciência e não mais da religião.
Realmente, é extraordinário o que Descartes
falou no século XVII: “Tirar Deus do Universo
é como tirar o Sol do Sistema Solar.” Esse grande
filósofo libertou a Filosofia da servidão medieval,
preparou o terreno para o advento do Espiritismo que surgiria
dois séculos mais tarde.
Juvanir Borges de Souza, articulista da revista Reformador,
editada pela FEB, na edição de setembro de 2002
cita o século XIX como o Século das Luzes e
dizia: “Se de um lado tomam corpo o Materialismo, o
Positivismo de Augusto Conte conduzido por homens inteligentes,
mas preocupados só com o imediatismo da vida, de outro
lado surge o Espiritismo, o Consolador prometido, conduzido
pelo Espírito de Verdade.”
Em 1848 surge o Manifesto Comunista de Karl Marx que exercia
grande influência e que se projetaria até o século
XX.
Mas, no mesmo ano surgem os primeiros fenômenos em Hydesville,
caso da Família Fox, produzidos pelos espíritos,
como a lembrar aos homens a continuação da vida
após a morte.
Volta-se novamente através de Allan Kardec a questionar
“Que é Deus?”, a primeira pergunta de O
Livro dos Espíritos, que teve como resposta por parte
dos Espíritos “A Suprema inteligência,
causa primária de todas as coisas. Todo efeito inteligente
deve ter uma causa inteligente. Deus criou as Leis perfeitas,
não existe acaso, pois isto geraria o caos.”
A Providência é a solicitude de Deus para com
suas criaturas. Deus é onipresente, tudo vê,
a tudo preside.
Por termos a idéia de um “Deus-homem” não
conseguimos entender a verdadeira essência da Divindade,
idéia essa divulgada pelo Antropomorfismo – do
grego antropo – homem + morpho – forma + ismo
- sistema.
Na Gênese, Kardec coloca uma parte da comunicação
do Espírito Quinemant, em 1867, apontando a seguinte
idéia: “Um fenômeno análogo ocorre
entre a criação e Deus e faz uma analogia entre
Deus estar em toda parte da natureza, assim como o Espírito
está em toda parte do corpo. Todas as células
do corpo humano estão em contato com o ser espiritual.
Um membro se agita: o Espírito o sente. Uma criatura
pensa: Deus o sabe.”
Também no livro Que é Deus, de Eliseu da Mota
Junior, vamos encontrar pronunciamentos dos mais famosos e
modernos cientistas e filósofos e um bom exemplo do
livro é a transcrição da palestra de
Divaldo Pereira Franco que abordou sobre o depoimento do Dr.
Morrison em que ele disserta “Porque acredito em Deus.”
*Avicena – ano 980 um dos maiores sábios do
Islã falava de Deus como o Uno
Aristóteles – 384 aC “Deus é o motor
do Mundo”
Ana Gaspar
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