A voz agitada ao telefone pedia, súplice:
- Soube que o senhor pode ajudar meu esposo. Ele sofreu um
enfarto e alguém me recomendou seu nome. Peço-lhe
a caridade de vir aplicar uns passes... confortar-nos...
- Infelizmente, hoje não posso. Estou aqui em trânsito
e as horas estão tomadas. Pela madrugada...
- Quero dizer: a qualquer hora, como e quando o senhor puder.
Por caridade!
- Então, às 23h aí estarei.
- Venha, esperaremos ansiosamente. Peço-lhe, porém
que venha pelo elevador de serviço.
Certamente, pensou, a dama não desejava que o vissem
entrando no edifício elegante, em bairro distinto da
cidade do Rio de Janeiro, onde residia. Devia sentir constrangimento,
fruto do preconceito.
Ele desejou dissipar as impressões negativas, mas a
lembrança voltava-lhe desagradável. Com o acúmulo
de tarefas, não pode, porém, desincumbir-se
do compromisso. Retornou ao lar depois de uma hora da madrugada.
No dia imediato, o telefone voltou a soar e a dama insistiu
chorando:
- Venha, por Deus! Necessitamos tanto!
- Não pude ontem e peço perdão. Irei
agora.
- Por favor! Entre, porém, pelo elevador de serviço.
O médium seguiu em prece e foi carinhosamente recebido.
Leu o Evangelho Segundo o Espiritismo, elucidou problemas
de fé, magnetizou a água, aplicou o passe.
Os bons resultados surgiram, incontinente.
À saída, emocionada, a senhora elucidou:
- Tinha tanto receio que o senhor não viesse. Deus
o recompense! Temia que o senhor, em chegando ao elevador
social, que está com defeito, desistisse. Daí
a minha insistência para que o senhor viesse pelo de
serviço. Desculpe-me!
Precipitação no julgamento.
Suscetibilidade vaidosa.
Melindre pernicioso.
Quantos inimigos sutis e poderosos! Aliás, todo servidor
que se preza está sempre utilizando o “elevador
de serviço”.
Medita! Ignotus
Página psicografada pelo médium
Divaldo P. Franco, em 23-9-1972, em São Paulo –
extraído do Reformador de março de 1973
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