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ATUALIDADES

O Mito da Caverna

Platão nos dá, através de Sócrates, uma idéia magnífica sobre a questão de como somos ferrenhos ao acreditar como verdade somente aquilo que já se tornou lugar comum em nossas vidas. Embora, se tenha passado, aproximadamente, 2.350 anos de sua morte, ainda hoje, especialmente no que concerne à religião, muitos de nós continuamos refratários às mudanças a que nos obriga uma fé raciocinada, o que, com tanta propriedade, nos ensina a Doutrina Espírita através dos compêndios de Kardec.
Em O Mito da Caverna – parte do diálogo A República – Sócrates nos diz mais ou menos assim: “Um grupo de homens habitava o fundo de uma caverna, onde de tal sorte estavam acorrentados, que só podiam ver um muro alto que lhes ficava à frente, onde por trás passavam pessoas carregando figuras, elas projetavam sombras buxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que podiam ver era um teatro de sombras. Como sempre viveram assim, achavam que o que viam era a única coisa que existia. Imaginemos agora, que um deles conseguisse se libertar. Querendo saber de onde vinham aquelas sombras projetadas na parede da caverna, ele se viraria para a s figuras que se elevavam acima do muro.
No primeiro momento, devido à intensidade da luz, nada enxergaria, e o contorno das figuras de que até então só vira a sombra, ofuscaria sua visão.
Imaginemos que conseguisse escalar o muro e sair da caverna, teria ainda mais dificuldade para enxergar devido ao excesso de luz. No entanto, vencidas as primeiras barreiras, começaria a ver a beleza das coisas. Pela primeira vez veria cores e contornos precisos, e que as figuras projetadas na parede da caverna não passava de imitações.
Imaginemos, ainda, que começasse a perguntar de onde vinha tanta beleza; o sol brilhando no céu, flores, animais. Entenderia então que graças ao fogo é que tinha visto as sombras refletidas na parede de sua caverna, que mesmo insignificantes, ante a beleza que agora via, eram o início de alguma coisa.
Agora podia andar livremente desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas, e os que deixara para trás?... Decide voltar e contar as maravilhas que descobrira. Contaria que as sombras que viam eram trêmulas e imprecisas imitações da realidade.
Mas, para sua surpresa, ninguém acreditou nessa ‘história mirabolante’, ao contrário, indignados investiram contra ele, atestando que o que viam era tudo o que existia.”

O que Platão nos mostra com essa alegoria é o caminho das noções imprecisas para as idéias reais que estão por trás dos fenômenos da natureza. Sócrates também tinha sido morto pelos “habitantes da caverna” por ter colocado em dúvida as noções a que eles estavam habituados, e por querer lhe mostrar o caminho do verdadeiro conhecimento.
Trazendo a lição dessa parábola para o Espiritismo podemos dizer que o quê os Espíritos nos mostra, há mais de cento e cinqüenta anos, através das comunicações, é que o mundo físico no qual habitamos com nosso envoltório carnal é apenas e tão somente a “sombra bruxuleante” da vida após a vida, ou seja, da verdadeira vida, que é infinda criação de Deus e que se compõe de dois lados: o material, em que piamente acreditamos e o espiritual em que muitos, como os homens daquela caverna, se recusavam a acreditar por achar que só o que vêem é tudo o que existe.

Obstinados e preguiçosos, não queremos assumir o ônus e o trabalho de pesquisar e compreender as possíveis verdades que desconhecemos.

A ignorância só nos abraça porque achamos mais fácil, mais confortável, ficar com as limitações de nossos pequenos horizontes, do que o estafante trabalho de mudar nossos velhos e confortáveis padrões!


Doracy Mércia A. Mota

 



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