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DE UM CAMINHO MANIPULADO
O grande poeta do Espiritismo, Leon Denis, discípulo
de Kardec, nos mostra de forma riquíssima em seu livro
“Depois da Morte” que todos os ensinamentos religiosos
estão ligados entre si numa única Doutrina,
mas que seu sentido profundo jamais era transmitido ao povo,
apenas aos sacerdotes – como o fazem ainda hoje muitas
religiões cujas verdades profundas ocultam sob o nome
de “mistérios que não devem ser profanados”.
Ele nos mostra, dentre outras coisas surpreendentes, que a
Índia, o Egito, a Grécia e até o Cristianismo
apresentaram esse duplo aspecto; ocultando o aspecto verdadeiramente
religioso, filosófico e científico, mantinham
o povo na ignorância, ensinando apenas o que lhes convinha,
reservando aos iniciados, futuros sacerdotes, a realidade
dos fenômenos espirituais e sua utilidade.
Os iniciados eram crianças retiradas de suas famílias
ainda pequenas para que, devidamente treinadas, pudessem receber
as grandes “e camufladas” verdades. Eram então
submetidos a duras provas, por vezes mesmo dolorosas, a fim
de se tornarem imunes aos desejos impuros e só então
tinham acesso aos princípios da Doutrina Secreta, aos
segredos das forças fluídicas e magnéticas,
segredos esses que lhes davam poder sobre a Natureza e comunicação
com as potencias ocultas do Universo. Dedicavam-se eternamente
à pesquisa e respondiam com a vida por qualquer indiscrição.
Seguindo essa linha as religiões tornaram-se adaptações
imperfeitas da verdadeira Doutrina, que, embora Única
e Imutável, era manipulada de acordo com as necessidades
de seus mandatários, que para não perderem o
domínio o faziam através de cerimônias
chocantes, levando o povo a crendices e supertições.
Os primeiros cristãos acreditavam nas vidas sucessivas,
na reencarnação, e no mundo dos espíritos;
Paulo colocou como dons espirituais toda espécie de
mediunidade, dizendo-se instruído pelo espírito
de Jesus, e sua conversão às portas de Damasco
foi uma aparição mediúnica da pessoa
do Cristo; como as aparições podiam também
vir de espíritos maus João advertia: “Caríssimos,
não acrediteis em qualquer Espírito, mas provai
se são de Deus”, o povo pergunta ao Mestre sobre
o cego de nascença que os apóstolos acreditavam
punido por faltas cometidas antes de seu nascimento; os discípulos
perguntaram a Jesus porque se dizia que primeiro deveria retornar
Elias, ao que Ele respondeu: “Elias já veio,
mas não o reconheceram” e viram que se referia
a João Batista; no monte Tabor os discípulos
viram Jesus conversar com Moisés e Elias; Madalena
O viu em seu corpo fluídico após o desencarne;
e não raras vezes o próprio Jesus deixava isto
muito claro em suas pregações: “O espírito
sopra onde quer, e ouve a sua voz, mas não sabe de
onde vem nem para onde vai”.
O povo, e até mesmo os discípulos, nem sempre
O compreendiam e Ele deixava aos séculos o prosseguimento
do seu trabalho: “Eu vos mandarei o consolador. Tenho
muita coisa a dizer-vos, mas agora não podeis compreender”.
Jesus falava ao coração e ao espírito.
Vidente por natureza, seu olhar penetrava pensamentos e consciências.
Sabia que o povo era ainda imaturo e ignorante, crianças
confusas quanto aos valores espirituais. Era preciso que o
transcorrer dos séculos fossem ensinando devagar.
Disso tudo fica-nos como que uma grande corrente espiritual
a desenrolar-se misteriosamente nas profundidades da História
movida pelo mundo invisível que nos domina e nos envolve;
onde vivem e trabalham Espíritos Maiores, que foram
guias para a humanidade e que jamais deixaram de se comunicar
com ela.
O advento do Cristianismo teve resultados incalculáveis
num aprendizado de amor nunca antes conhecido, reforçado
pelas leis morais e da vida eterna, antes, patrimônio
de sábios e sacerdotes. Infelizmente o Catolicismo
seguindo o velho ritual do domínio pelo medo e ignorância
instituiu a Salvação pela Graça, o Pecado
Original e o Inferno, deturpando a doutrina do Evangelho.
Foi uma pena que sendo os ensinos de Jesus de amor e caridade
tenha armando os povos uns contra os outros, levando o governo
à perseguição implacável pela
Inquisição, pelas Cruzadas e pelo Santo Ofício
e, fazendo correr o medo e o terror, mostrou um Deus cheio
de cólera levando aos castigos eternos do inferno!
Naquela época todo questionamento, além de
proibido, era considerado heresia – muitíssimas
vezes ainda o é – e isso impedia o homem de pensar
e ele, sufocando dúvidas anulou a razão, aceitando
uma fé imposta e sem raciocínio, que muitas
religiões ainda querem passar. Obviamente tudo isso
enfraqueceu a religião que já não exerce
a mesma influência. Hoje o homem não aceita dogmas
que oprimem e, buscando a verdade, liberta-se de uma fé
que lhe era imposta.
“Depois da Morte” deixa claro que na antiguidade
a reencarnação, as vidas sucessivas e a comunicação
com os mortos se fizeram presentes: São Gregório
recebeu os símbolos da fé do espírito
de São João; Santo Agostinho fala em seus escritos:
“Por que não atribuir essas obras aos espíritos
dos mortos e não crer que a divina providência
se sirva de tudo para instruir os homens, consolá-los
e corrigi-los? Ele fala do corpo fluídico, etéreo,
veste da alma que conserva a imagem do corpo, e, ainda, que
comunicava-se com os Espíritos e os Anjos.
Muitos padres comungaram dessas idéias. São
Clemente de Alexandria e São Gregório de Nice
diziam que a alma imortal deve ser renascida e purificada,
se não nesta vida, nas vias futuras e sucessivas.
Contudo, a Igreja não podia admitir a reencarnação
e a redenção das culpas por meio da provação
através das existências porque a morte perderia
seus terrores, podendo qualquer um libertar-se do purgatório
pelos próprios esforços, além do mais
a Igreja, privada das chaves do Paraíso e do Inferno
veria diminuído seu prestígio e poder. Por isso
perseguiu e proibiu seus clérigos de se pronunciarem.
Impôs o silencio aos partidários da doutrina
secreta obrigando-os a renunciarem a qualquer comunicação
com os espíritos, dizendo-os inspirados pelo demônio,
dando a Satanás uma importância cada vez maior,
atirando sobre ele a culpa de tudo que a embaraçava,
declarando-se única interprete de Deus.
Os missionários desobedientes foram severamente punidos
pela Inquisição.
A Idade Média estava recheada dessas tragédias
religiosas.
Apesar de tudo no próprio clero existiam adeptos
secretos, alguns ousaram proclamá-lo ostensivamente
como o Cardeal de Bona que disse em seus tratados: “É
de espantar-se que homens de bom-senso tenham podido negar,
de modo absoluto, as aparições e as comunicações
das almas com os vivos, ou atribuí-las a enganos da
fantasia ou as artes do demônio.”
Porém algumas sociedades secretas, como os Templários
e os Rosas Cruzes, mesmo perseguidas, conseguiram preservar
a Doutrina.
Felizmente, hoje as coisas estão mais amenas e o
próprio Papa que todos respeitamos e admiramos pela
figura bondosa, humana e irreprochável – que
inegavelmente é - reconhece com humildade e pede perdão
ao mundo por situações que lamenta terem existido.
No entanto a Igreja, por força de sua própria
história, não aceita a reencarnação
e o mundo dos Espíritos. Acreditamos, porém
que chegará o dia em que nossos irmãos, adeptos
de outras religiões, perceberão essas grandes
verdades que a ciência vem atestando cada vez com maior
profundidade. Nesse dia nos uniremos todos num só rebanho
a caminho da evolução “maior”.
Doracy Mércia de Azevedo Mota
Bibliografia:
“Depois da Morte” – Leon Denis
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