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Ciência e a Guerra
O artigo do físico Marcelo Gleiser do dia
2 de março – deste ano – no caderno
Mais do jornal Folha de São Paulo aborda o
tema deste artigo e vem ao encontro da questão
743 do O Livro dos Espíritos, quando Kardec
pergunta aos Espíritos: “A guerra desaparecerá
um dia da face da Terra?” “Sim”,
responde os Espíritos “quando os homens
compreenderem a justiça e praticarem a Lei
de Deus. Então todos os povos serão
irmãos.”
Gleiser demonstra mediante esta matéria que
a ciência sempre colaborou com suas pesquisas
nas guerras. “A ciência, muitas vezes,
acaba sendo vista como a culpada de tudo. São
os cientistas os responsáveis por essas armas,
são eles os monstros, manipulados pelos políticos,
como marionetes” , dizem os descontentes. Marcelo
Gleiser argumenta: “Em primeiro lugar, a ciência
em si não cria ou destrói. Somos nós
os criadores e destruidores. Somos nós que
decidimos o que fazer com as nossas invenções.
Esquecemos também que somos nós que
elegemos os políticos que fazem uso de armas
de destruição.”
Acompanhemos a história e vamos verificar
que desde a mais remota Antigüidade é
sempre o Homem – usando sua inteligência
e sua avidez de poder – quem coloca a ciência
para a destruição e posse.
Principia o seu artigo falando do grande inventor
Arquimedes, que ajudou o rei Hiero de Siracusa a criar
máquinas de guerra e com isso conseguiu deter
o poderoso exercito romano. Também poderá
ser encontrada uma citação do livro
de Jared Diamond , Armas, Germes e Aço, em
que o autor argumenta que além de mosquetes
e canhões o expansionismo europeu deve-se,
também, as doenças contagiosas que dizimaram
cidades e vilas, porque as populações
não tinham anticorpos necessários para
combatê-las.
Continua de forma bem clara sua magnífica
matéria, lembrando-nos de Hiroshima e Nagasaki,
populações civis na Etiópia e
muito mais.
E encerra com a seguinte colocação:
“Esses argumentos não exoneram os cientistas
de sua cumplicidade histórica. Seu dever civil
é, a meu ver, melhorar as condições
de vida da humanidade. Desse pacto, inevitavelmente,
nascem novas tecnologias e novas armas. Não
é com a ciência que devemos nos preocupar,
mas com a imaturidade do homem, cientista ou não,
que não sabe como lidar com o poder que vem
roubando dos deuses.”
Da nossa parte gostaríamos de lembrar ao
grande físico, que não roubamos “o
poder dos deuses”, mas, sim, utilizamos a inteligência
que adquirimos nas sucessivas reencarnações.
Infelizmente, ainda não aprendemos que somos
todos irmãos e só alcançaremos
a felicidade e a paz quando colaborarmos para que
essa paz permaneça em nós e em toda
a humanidade. Aí, sim, a felicidade reinará
no nosso “Planeta Azul”.
Ana Gaspar
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