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Especial
Texto, na íntegra, de Hermínio
C. Miranda publicado no Reformador de Março
de 1976.
O médium do AntiCristo
Um jovem de cerca de 20 anos vagava pelo Museu
Hofburg, em Viena, como de costume. estava deprimido
como nunca. O dia fora muito frio, pois o vento
trouxera o primeiro anúncio do outono que se
aproximava. Ele temia novo ataque de bronquite
que se aproximava. Ele temia novo ataque no
seu miserável quartinho numa pensão barata.
Estava pálido, magro e de aparência doentia.
Sem dúvida alguma, era um fracasso. Fora recusado
pela Escola de Belas Artes e pela Arquitetura.
As perspectivas eram as piores possíveis.
Caminhando pelo museu, entrou na sala que guardava
as jóias da coroa dos Hapsburg, gente de uma
raça que não considerava de boa linhagem germânica.
Mergulhado em pensamentos pessimistas, nem sequer
notou que um grupo de turistas, orientado por
um guia, passou por ele e parou diante de um
pequeno objeto ali em exibição.
-"Aqueles estrangeiros escreveria
o jovem mais tarde pararam quase em frente
ao lugar onde eu me encontrava, enquanto seu
guia apontava para uma antiga ponta de lança.
A princípio, nem me dei ao trabalho de ouvir
o que dizia o perito; limitava-se a encarar
a presença daquela gente como intromissão na
intimidade de meus desesperados pensamentos.
E, então, ouvi as palavras que mudariam o rumo
da minha vida: "Há uma lenda ligada a esta
lança que diz que quem a possuir e decifrar
os seus segredos terá o destino do mundo em
suas mãos, para o bem ou para o mal."
Como se tivesse recebido um choque de alertamento,
ele agora bebia as palavras do erudito guia
do museu, que posseguia explicando que aquela
fora a lança que o centurião romano introduzira
ao lado do tórax de Jesus (João 19:34) para
ver se o crucificado já estava "morto".
Tinha uma longa e fascinante história aquele
rústico pedaço de ferro. O jovem mergulharia
nela a fundo nos próximos anos. Chamava-se ele
Adolf Hitler.
Voltou muitas vezes mais ao Museu Hofburg e
pesquisou todos os livros e documentos que conseguiu
encontrar sobre o assunto. Envolveu-se em mistérios
profundos e aterradores, teve revelações que
o atordoaram, incendiaram sua imaginação e desataram
seus sonhos mais fantásticos.Para
saber mais clique aqui
Sabemos hoje, em face da prática
e da literatura espírita, que os Espíritos,
encarnados e desencarnados, vivem em grupos,
dedicados a causas nobres ou sórdidas, segundo
seus interesses pessoais. A inteligência e o
conhecimento, como todas as aptidões humanas,
são neutros em si mesmos, ou seja, tanto podem
ser utilizados na prática do bem como na disseminação
do mal. Dessa maneira, tanto os bons espíritos,
como aqueles que ainda se demoram pelas trevas,
elaboram objetivos de longo alcance visando
aos interesses finais do bem ou do mal. Em tais
condições, encarnados e desencarnados se revezam,
neste plano e no outro, e se apoiam mutuamente,
mantendo constantes entendimentos especialmente
pela calada da noite, quando uma parte considerável
da humanidade encarnada, desprendida pelo sono,
procura seus companheiros espirituais para debater
planos, traçar estratégias, realizar tarefas,
ajustar situações.
Há, pois, toda uma logística
de apoio aos Espíritos que se reencarnam com
tarefas específicas, segundo os planos traçados.
Estudando, hoje, a história
secreta do nazismo, não nos resta dúvida de
que Adolf Hitler e vários dos seus principais
companheiros desempenharam importante papel
na estratégia geral de implantação do reino
das trevas na Terra, num trabalho gigantesco
que, obviamente, tem a marca inconfundível do
Anticristo. Para isso, eclodem fenômeno mediúnicos,
surgem revelações, encontram-se as pessoas que
deveriam encontrar-se, acontecem "acasos"
e "coincidências" estranhas, juntam-se,
enfim, todos os ingredientes necessários ao
desdobramento do trabalho.
August Kubizek descreve uma
cena dramática em que Hitler, com apenas 15
anos de idade, apresenta-se claramente incorporado
ou inspirado por alguma entidade desencarnada.
De pé diante de seu jovem amigo, agarrou-lhe
as mãos emocionado, de olhos esbugalhados e
fulminantes, enquanto de sua boca fluía desordenadamente
uma enxurrada de palavras excitadas. Kubizek,
artudido, escreve, em seu livro:
- Era como se outro ser falasse
de seu corpo e o comovia tanto quanto a mim.
Não era, de forma alguma, o caso de uma pessoa
que fala entusiasmada pelo que diz. Ao contrário,
eu sentia que ele próprio como que ouvia atônito
e emocionado o que jorrava com uma força primitiva...
Como enxurrada rompendo diques, suas palavras
irrompiam dele. Ele invocava, em grandiosos
e inspirados quadros, o seu próprio futuro e
o de seu povo. Falava sobre um Mandato que,
um dia, receberia do povo para liderá-lo da
servidão aos píncaros da liberdade- missão especial
que em futuro seria confiada a ele.
Ao que parece, foi o primeiro
sinal documentado da missão de Hitler e o primeiro
indício veemente de que ele seria o médium de
poderosa equipe espiritual trevosa empenhada
em implantar na Terra uma nova ordem. Garantia-se
a Hitler o poder que ambicionava, em troca da
fiel utilização da sua instrumentação mediúnica.
O pacto com as trevas fora selado nas trevas.
É engano pensar que essas falanges espirituais
ignoravam as leis divinas. Conhecem-nas muito
bem e sabem da responsabilidade que arrostam
e, talvez, até por isso mesmo, articulam seus
planos tenebrosos e audaciosos, porque, se ganhassem,
teriam a impunidade com que sonham milenarmente
para acobertar crimes espantosos. Eles conhecem,
como poucos, os mecanismos da Lei e sabem manipular
com perícia aterradora os recursos espirituais
de que dispõem.
Vejamos outro exemplo: o relato
da Segunda visita de Hitler à lança, narrada
pelo próprio.
Novamente a sensação estranha
de perplexidade. Sente ele que algo poderoso
emana daquela peça, mas não consegue identificar
o de que se trata. De pé, diante da lança, ali
ficou por longo tempo a contemplá-la:
-
Estudava minuciosamente cada pormenor
físico da forma, da cor e da substância,
tentando, porém permanecer aberto à sua
mensagem. Pouco a pouco me tornei consciente
de uma poderosa presença em torno dela
a mesma presença assombrosa que experimentara
intimamente naquelas raras ocasiões de minha
vida em que senti que um grande destino
esperava por mim.
-
Começava agora a compreender o significado
da lança escreve Ravenscroft
e a origem de sua lenda, pois sentia, intuitivamente,
que ela era o veículo de uma revelação -
"uma ponte entre o mundo dos sentidos
e o mundo do espírito".
As palavras entre aspas são
dos próprio Hitler, que prossegue:
-
Uma janela sobre o futuro abriu-se diante
de mim, e através dela vi, num único "flash",
um acontecimento futuro que me permitiu
saber, sem sombra de dúvida, que o sangue
que corria em minhas veias seria, um dia,
o veículo do espírito de meu povo.
Ravenscroft especula sobre
a revelação. Teria sido, talvez, a antevisão
da cena espetaculosa do próprio Hitler a falar,
anos mais tarde, ali mesmo em frente ao Hofburg,
à massa nazista aglomerada, após a trágica invasão
da Áustria, em 1938, quando ele disse em discurso:
-
A Providência me incumbiu da missão de
reunir os povos germânicos...com a missão
de devolver minha pátria
1 ao Reich alemão. Acreditei
nessa missão. Vivi por ela e creio que cumpri.
Tudo começara com o impacto
da visão da lança no museu. Já naquele mesmo
dia, em que o guia dos turistas chamou sua atenção
para a antiqüíssima peça, ele experimentou estranhas
sensações diante dela. Que fascínio poderia
ter sobre seu Espírito - espetacular ele próprio
aquele símbolo cristão ? Qual a razão
daquele impacto? Quanto mais a contemplava,
mais forte e, ao mesmo tempo, mais fugidia e
fantástica se tornava a sua impressão.
-
Senti como se eu próprio a tivesse detido
em minhas mãos anteriormente, em algum remoto
século da História como se eu a tivesse
possuído, como meu talismã de poder e mantido
o destino do mundo em minhas mãos. No entanto,
como poderia isto ser possível? Que espécie
de loucura era aquele tumulto no meu íntimo?
É o que tentaremos resumir
em seguida.
Hitler dedicou-se daí em diante
ao estudo de tudo quanto pudesse estar relacionado
com o seu fascinante problema. Cedo foi dar
em núcleos do saber oculto. Um dos seus biógrafos,
Alan Bullock (Hitler: A Study in Tiranny), sem
ter alcançado as motivações do futuro líder
nazista, diz que ele foi um inconseqüente, o
que se poderia provar pelas suas leituras habituais,
pois seus assuntos prediletos eram a história
de Roma antiga, as religiões orientais, ioga,
ocultismo, hipnotismo, astrologia... Parece
legítimo admitir que tenha lido também obras
de pesquisa espíritas, porque os autores não
especializados insistem em grupar espiritismo,
magia, mediunismo e adivinhação, e muito mais
sob o rótulo comum de ocultismo.
Sim, Hitler estudou tudo isso
profundamente e não se limitou à teoria; passou
à prática. Convencido da sua missão transcendental,
quis logo informar-se sobre os instrumentos
e recursos que lhe seriam facultados para levá-lo
a cabo. O primeiro impacto da idéia da reencarnação
em seu espírito o deixou algo atônito, como
vimos, na sua primeira crise espiritual diante
da lança, no museu de Hofburg; logo, no entanto,
se tornou convicto dessa realidade e tratou
a sério de identificar algumas de suas vidas
anteriores. Esses estudos levaram-no ao cuidadoso
exame da famosa legenda do Santo Graal, de que
Richard Wagner, um dos seus grandes ídolos,
se serviu para o enredo da ópera Parsifal.
Hitler foi encontrar nos escritos
de um poeta do século XIII, por nome Wolfram
von Eschenbach, a fascinante narrativa da lenda,
cheia de conotações místicas e simbolismos curiosos,
que captaram a sua imaginação, porque ali a
história e a profecia estavam como que mal disfarçadas
atrás do véu diáfano da fantasia.
Mas, Hitler tinha pressa,
e, para chegar logo ao conhecimento dos mistérios
que o seduziam, não hesitou em experimentar
com o peiote, substância alucinógena extraída
do cogumelo mexicano, hoje conhecida como mescalina.
Sob a direção de um estranho indivíduo, por
nome Ernst Pretzsche, o jovem Adolf mergulhou
em visões fantásticas que, mais tarde, identificaria
como sendo cenas de uma existência anterior
que teria vivido como Landulf de Cápua, que
serviu de modelo ao Klingsor na ópera de Wagner.
Esse Landulf foi um príncipe
medieval (século nono) que Revenscroft declara
ter sido "the most evil figure of the century"
a figura mais infame do século. Sua influência
tornou-se considerável na política de sua época
e, segundo Ravenscroft, "ele foi a figura
central em todo o mal que se praticou então".
O Imperador Luiz II conferiu-lhe
posto que o situava como a terceira pessoa no
seu reino, e concedeu-lhe honrarias e poderes
de toda a sorte. Landulf teria passado muitos
anos no Egito, onde estudou magia negra e astrologia.
Aliou-se secretamente aos árabes que, apesar
de dominarem a Sicília, respeitaram seu castelo,
em Carlata Belota, na Calábria. Nesse local
sinistro, onde se situara no passado um templo
dedicado aos mistérios, Landulf exercia livremente
suas práticas horríveis e perversas que, segundo
Ravenscroft, deram-lhe a merecida fama de ser
o mais temido feiticeiro do mundo. Finalmente,
o homem que o Imperador Luiz II queria fazer
Arcebispo de Cápua, depois de elevá-la à condição
de cidade metropolitana, foi excomungado em
875, quando sua aliança com o Islam foi descoberta.
Ravenscroft informa logo a
seguir que, a seu ver, ninguém conseguiu exceder
Wagner em inspiração, quando este coloca, na
sua ópera, a figura de Klingsor ( ou seja, Landulf)
como um mago a serviço do Anticristo.
Aliás, muitas são as referências
ao Anticristo no livro do autor inglês, em conexão
com a trágica figura de Adolf Hitler. Ainda
veremos isto.
Guiado pela sua intuição,
Wagner tranpôs para o terreno da arte, na sua
genial ópera, o objetivo de Klingsor e seus
adeptos, que era "cegar as almas por meio
da perversão sexual e privá-las da visão espiritual,
a fim de que não pudessem ser guiadas pelas
hierarquias celestiais". Essa atividade
maligna Landulf desenvolveu em seu tempo e suas
horríveis práticas teriam exercido "devastadora
influência nos líderes seculares da Europa cristã",
conforme Ravenscroft.
Mas Hitler acreditava-se também uma reencarnação
de Tibério, um dos mais sinistros dos Césares.
É fato sabido hoje que ele tentou adquirir ao
Dr. Axel Munthe, autor de O Livro de San
Michele, a ilha deste nome, que, em tempos
idos fora o último reduto de Tibério,
que lá morreu assassinado. O Dr. Munthe
se recusou a vender a ilha porque ele próprio
acreditava ter sido Tibério, o que não parece
muito congruente com a sua personalidade.
Aliás, as especulações ocultistas (usemos a
palavra) dos líderes nazistas estão cheias de
fenômenos psíquicos e de buscas no passado.
Goering dizia, com orgulho, que sempre se encarnou
ao lado do Führer. Ao tempo de Landulf, ele
teria sido o Conde Boese, amigo e confidente
do príncipe feiticeiro, e no século XIII fora
Conrad de Marburg, amigo íntimo do bispo Klingsor,
de Wartburg. Goebbels, o ministro da Propaganda
nazista, acreditava-se Ter sido Eckbert de Meran,
bispo de Bamberg, no século XIII, que teria
apresentado Klingsor ao rei André da Hungria.2
Se essas encarnações estão certas ou não, não
cabe aqui discutir, mas tais especulações evidenciam
o interesse daqueles homens pelos mistérios
e segredos das leis divinas, que precisavam
conhecer para melhor desrespeitar e burlar.
Por outro lado, contêm alguma lógica, quando
nos lembramos de certos aspectos que a muitos
passam despercebidos. Muitos espíritos reencarnaram-se
com o objetivo de infiltrarem-se nas hostes
daqueles que pretendem combater, seja para destruir,
seja para se apossarem da organização, sempre
que esta detenha alguma parcela substancial
de poder. Não seria de admirar-se, pois que
um grupo de servidores das trevas, com apoio
das trevas, aqui e além, fosse alçado a postos
de elevada influência entre a hierarquia cristã
da época, quando a Igreja desfrutava de incontestável
poder. O papado não esteve imune longe
disso - e por várias vezes caiu em mãos de mal
disfarçados emissários de Anticristo.
Lembremos outro pequeno e quase imperceptível
pormenor. Recorda-se o leitor daquela observação
veiculada por um benfeitor espiritual que relatou
haver sido traçada, no mundo das trevas, a estratégia
do sexo desvairado, a fim de desviar os humanos
dos caminhos retos da evolução? Sexo transviado
e magia negra são aliados constantes, ingredientes
do mesmo caldo escuro, onde se cultivam as paixões
mais torpes. Quantos não se perderam por ai...
1
Hitler era austríaco. Nasceu em 20 de abril
de 1889, na encantadora vila
de Braunau-am-Inn, onde também nasceram
os famosos médiuns Willy e Rudi Scheider.
2 Segundo
apurou Ravenscroft, esse Bispo Klingsor
seria o CVonde de Acerra, também de Cápua,
um tipo sinistro, profundamente envolvido
em magia negra e que, como Landulf, séculos
antes, reuniu em torno de si um círculo de adeptos
que incluia eminentes personalidades eclesiásticas
da época. Afirma, ainda, o autor
que foi nesse grupo que se concebeu o
medonho monstro da Inquisição.
O Médium do Anticristo
II
Alfred Rosemberg, o futuro
teórico do nazismo, era então o profeta do Anticristo
e se incumbia de questionar os Espíritos manifestantes.
Ravenscroft afirma que teria sido Rosemberg
quem pediu a presença da própria Besta do apocalipse,
que na sua opinião(de Rovenscroft), sem dúvida
dominava o corpo e a alma de Adolf Hitler, através
das óbvias faculdades mediúnicas deste.
Essa manifestação do Anticristo em Hitler foi
assegurada por mais de uma pessoa, além do lúcido
e tranqüilo Dr. Walter Johannes Stein. Um desses
foi outro estranho caráter, por nome Houston
Stewart Chamberlain, um inglês que se apaixonou
pela Alemanha e pela causa nazista. Ravenscroft
classifica-o como genro de Wagner e profeta
do mundo pangermânico. Também escrevia suas
teses anti-racistas em transe, segundo atestou
nada menos que o eminente General Von Moltke,
de quem ainda diremos algo importante daqui
a pouco Chamberlain era considerado um digno
sucessor do gênio de Friederich Nietzsche e,
segundo o próprio Hitler, em "Mein Kampf",
"um dos mais admiráveis talentos na história
do pensamento alemão, uma verdadeira mina de
informações e de idéias". Foi quem expandiu
as idéias de Wagner, desvirtuando-as perigosamente,
ao pregar a superioridade da raça ariana. Segundo
testemunho de Von Moltke, Chamberlain evocou
inúmeros vultos desencarnados da história mundial
e confabulou com eles. Que era uma inteligência
invulgar, não resta dúvida. Os poderes das trevas
escolheram bem seus emissários. Enganam-se,
também, redondamente, aqueles que consideram
Hitler um doido inconseqüente que tentou, na
sua loucura, botar fogo no mundo. A julgar por
todas essas revelações que ora nos chegam ao
conhecimento, ele sabia muito bem o seu papel
em todo esse drama. Recebeu uma fatia de poder
a troco de certa missão muito específica.
No domínio do mundo, se o tivesse conseguido,
ele continuaria a desfrutar de posição "invejável",
como prêmio a um trabalho "bem feito".
Ainda bem que falhou, pois a amostra foi terrível.
Como se explicaria, sem esse apoio maciço de
espíritos encarnados e desencarnados, que um
jovem pintor sem êxito, pobre, abandonado à
sua sorte, rejeitado pela sociedade, tenha conseguido
montar o mais tenebrosos instrumento de opressão
que o mundo já conheceu? Como se explicaria
que seu partido tenha emergido de um pequeno
grupo político, falido e obscuro, senão que
os Espíritos seus amigos o indicaram como sendo
o primeiro degrau de escada que o levaria ao
poder?
Hitler ainda se aprofundaria muito mais nos
mistérios da sua missão tenebrosa. Precisava
receber instruções mais específicas, e , como
sabemos, tudo se arranja para que assim seja.
A hora chegaria, no momento exato, com a pessoa
já programada para ajudá-la. Um desses homens
chamou-se Dietrich Eckhart.
Sua história á algo fantástico, mas vale a pena
passar ligeiramente sobre ela, a fim de entendermos
seu papel junto a Hitler, que, antes de encontrar-se
com Eckhart, fizera apenas preparativos para
o vestibular da magia e do ocultismo.
Dietrich Eckhart era um oficial do exército,
de aparência afável e jovial e, ao mesmo tempo,
no dizer de Ravenscroft, "dedicado satanista,
o supremo adepto das artes e dos rituais da
magia negra e a figura central de um poderoso
e amplo círculo de ocultistas O Grupo
Thule".
Foi um dos setes fundadores do partido nazista,
e, ao morrer, intoxicado por gás de mostarda,
em Munich, em dezembro de 1923, disse, exultante:
-
Sigam Hitler! Ele dançará, mas a música
é minha. Iniciei-o na "Doutrina Secreta",
abri seus centros de visão e dei-lhe os
recursos para se comunicar com os Poderes.
Não chorem por mim: terei influenciado a
História mais do que qualquer outro alemão.
Suas palavras não são mero
delírio de paranóico. Há muito, nas suas desvairadas
práticas mediúnicas, havia recebido "uma
espécie de anunciação satânica de que estava
destinado a preparar o instrumento do Anticristo,
o homem inspirado por Lúcifer para conquistar
o mundo e liderar a raça ariana à glória".
Quando Adolf Hitler lhe foi apresentado, ele
reconheceu imediatamente o seu homem, e disse
para seus perplexos ouvintes:
- Aqui está aquele de quem eu fui apenas o profeta
e o precursor.
Coisas espantosas se passaram no círculo mais
íntimo e secreto do Grupo Thule, numa série
de sessões mediúnicas (Ravenscroft chama-as,
indevidamente, de sessões espíritas...), das
quais participavam dois sinistros generais russos
e outras figuras tenebrosas.
A médium, descoberta por certo Dr. Nemirocitch-Dantchenko,
era uma pobre ignorante camponesa, dotada de
variadas faculdades. Expelia pelo órgão genital
enormes quantidades de ectoplasma, do qual se
formavam cabeças de entidades materializadas
que, juntamente com outras, incorporadas na
médium, transmitiam instruções ao círculo de
"eleitos".
Certa manhã de setembro de 1912, Walter Stein
e seu jovem amigo Adolf Hitler subiram juntos
as escadarias do museu Hofburg. Em poucos minutos
encontravam-se diante da Lança de Longinus,
posta, como sempre, no seu estojo de desbotado
veludo vermelho. Estavam ambos profundamente
emocionados, por motivos diversos, é claro,
mas, seja como for, o disparador daquelas emoções
era a misteriosa lança. Dentro em pouco, Hitler
parecia Ter passado a um estado de transe, "um
homem segundo Ravenscroft sobre
o qual algum espantoso encantamento mágico havia
sido atirado" . Tinha as faces vermelhas
e seus olhos brilhavam estranhamente. Seu corpo
oscilava, enquanto ele parecia tomado de inexplicável
euforia.
-
Toda a sua fisionomia e postura
escreve Rovenscroft, que ouviu a narrativa
do próprio Stein pareciam transformadas,
como se algum poderoso Espírito habitasse
agora a sua alma, criando dentro dele e
à sua volta uma espécie de transfiguração
maligna de sua própria natureza e poder.
Walter Stein pensou com seus
botões: Estaria ele presenciando uma incorporação
do Anticristo?
É difícil responder, mas é certo que terrífica
presença espiritual ali estava mais do que evidente.
Inúmeras outras vezes, em todo o decorrer de
sua agitada existência, testemunhas insuspeitas
e desprevenidas haveriam de notar fenômenos
semelhantes de incorporação, especialmente quando
Hitler pronunciava discursos importantes ou
tomava decisões mais relevantes.
Ao narrar o fenômeno a Ravenscroft, 35 anos
depois, o Dr. Stein diria que:
-...Naquele instante em que pela primeira vez
nos postamos juntos, de pé, ante a Lança de
Longinus, pareceu-me que Hitler estava em transe
tão profundo que passava por uma privação quase
completa de seus sentidos e um total eclipse
de sua consciência.
Hitler sabia muito bem da sua condição de instrumento
de poderes invisíveis. Numa entrevista à imprensa,
documentou claramente esse pensamento, ao dizer:
-
Movimento-me como um sonâmbulo, tal como
me ordena a Providência.
Havia nele súbitas e tempestuosas
mudanças de atitude. De uma placidez fria e
meditativa, explodia, de repente, em cólera,
pronunciando, alucinadamente, uma torrente de
palavras, com emoção e impacto, especialmente
quando a conversa enveredava pelos temas políticos
e raciais. Stein presenciou cenas assim no velho
café em que costumava encontrar-se com seu amigo,
em Viena, ali por volta de 1912/1913. Passada
a explosão, Hitler recolhia-se novamente ao
seu canto, como se nada tivesse ocorrido.
Naqueles estados de exaltação, transformava-se
o seu modo de falar e sua palavra alcançava
as culminâncias da eloqüência e da convicção.
Era como se um poder magnético a elas se acrescentasse,
de tal forma que ele facilmente dominava seus
ouvintes. Seus próprios companheiros notariam
isso mais tarde, em várias oportunidades.
-
Ao se ouvir Hitler escreveu Gregor
Strasser, um ex-nazista tem-se a
visão de alguém capaz de liderar a humanidade
à glória. Uma luz aparece numa janela escura.
Um homem com um bigode cômico transforma-se
em arcanjo. De repente, o arcanjo se desprende
e lá está Hitler sentado, banhado em suor,
com os olhos vidrados.
Tudo fora muito cuidadosamente
planejado e executado, inclusive com os sinais
identificadores, para que ninguém tivesse dúvidas.
Nas trágicas sessões mediúnicas do Grupo Thule,
fora anunciado que o Anticristo se manifestaria
depois que seu instrumento passasse por uma
ligeira crise de cegueira. Isto se daria ali
por volta de 1921, e seu médium teria, então,
33 anos.
Aos 33 anos de idade, em 1921, depois de recuperado
de uma cegueira temporária, Hitler assumiu a
incontestável liderança do Partido Nacional
Socialista, que o levaria ao poder supremo na
Alemanha, e, quase, no mundo.
De tanto investigar os mistérios e segredos
da história universal, em conexão com os poderes
invisíveis, Hitler se convenceu de realidades
que escapam à maioria dos seres humanos. A história
é realmente o reflexo de uma disputa entre a
sombra e a luz, representadas, respectivamente,
pelos Espíritos que desejam o poder a qualquer
preço e por aqueles que querem implantar na
Terra o reino de Deus, que anunciou o Cristo.
Hitler sabia, por exemplo, que os Espíritos
trabalham em grupos, segundo o seus interesses
e por isso se reencarnam também em grupos, enquanto
seus companheiros permanecem no mundo espiritual
na sombra ou na luz, conforme seus propósitos
apoiando-se mutuamente. Não é à toa que
Göering e Goebbels, como vimos, reconheciam-se
como velhos companheiros de Hitler. Este, por
sua vez, estava convencido de que um grupo enorme
de Espíritos, que se encarnara no século IX,
voltara a encarna-se no século XX. O notável
episódio ocorrido com o eminente General Von
Moltke parece confirmar essa idéia.
Vamos recordá-lo, segundo
o relato de Ravenscroft.
Foi ainda na Primeira Guerra
Mundial. No imenso e trágico tabuleiro de xadrez
em que se transformara a Europa, havia um plano
militar secreto, sob o nome de Plano Schlieffen,
que previa a invasão da França através da Bélgica,
antes que a Russia estivesse em condições de
entrar em ação.
Helmuth Von Moltke era Chefe do Estado-Maior
do Exército Alemão, sob o Kaiser. Coube-lhe
a responsabilidade de introduzir alguns aperfeiçoamentos
no plano e aguardar o momento de pô-lo em ação,
se e quando necessário. O momento chegou em
junho de 1914. Jogava-se a sorte da Europa.
Von Moltke passou a noite em claro, na sede
do Alto Comando, tomando as providências de
última hora para que o plano entrasse em ação
imediatamente. Estudava mapas, expedia ordens,
conferenciava com seus oficiais. O destino de
sua pátria estava em suas mãos e ele sabia disso.
No auge da atividade, o eminente General perdeu
os sentidos sobre a mesa de trabalho. Parecia
Ter tido um enfarte. Chamaram um médico, enquanto
seus camaradas, muito apreensivos depositavam
o seu corpo no sofá.
Nenhuma doença foi diagnosticada. Na verdade,
Von Moltke estava em transe. Sua metódica e
brilhante inteligência não previra a interferência
da mão do destino, como diz Ravenscroft. Ou
seria a mão de Deus?
Julgou-se, a princípio, que o poderoso General
estivesse morrendo. Mal se percebia sua respiração
e o coração apenas batia o necessário para manter
a vida; olhos abertos vagavam, apagados, de
um lado para outro. O eminente General Helmuth
Von Moltke estava experimentando uma crise espontânea
de regressão de memória, durante a qual em vívidas
imagens que se desdobravam diante de seus olhos
espirituais, ele se viu como um dos Papas do
século IX, Nicolau I, o Grande, que a Igreja
canonizou. Há estranhas "coincidências"
aqui. Segundo os historiadores, Nicolau ascendeu
ao trono papal mais por influência do Imperador
Luis II do que pela vontade do clero. Lembra-se
o leitor de que Luiz II foi o mesmo que protegeu
o incrível Landulf, príncipe de Cápua? E que
Landuf, um milênio depois, seria Adolf Hitler?
Nicolau foi um papa enérgico e brilhante. Governou
somente nove anos incompletos, de 858 a 867,
mas teve de tomar decisões momentosas e que
exerceram profunda influência na História. Foi
no seu tempo que se definiu mais nitidamente
a tendência separatista entre as igrejas do
ocidente e a do oriente. Foi ele quem elevou
a novas culminâncias a doutrina da plenitude
do poder papal. Segundo seu pensamento, o imperador
era apenas um delegado, incumbido do poder civil.
Enquanto essas vivências desfilavam diante de
seus olhos, Von Moltke, ainda estendido no sofá,
vivia a curiosa experiência de estar situado
entre duas vidas; separadas por mil anos. Em
torno dele, entre as ansiosas figuras de seus
generais, ele identificava alguns de seus antigos
cardeais e bispos. Uma das personalidades que
ele também identificou naquele desdobramento
foi a de seu tio, o ilustre Marechal- de- Campo,
também chamado Helmuth Von Moltke, o maior estrategista
de sua época e que lutou na guerra de 1870.
Fora também uma das poderosas figuras medievais,
o Papa Leão IV, o chamado pontífice-soldado,
que organizou a defesa de Roma e comandou seus
próprios exércitos.
Outra figura identificada foi o General Von
Schlieffen, autor do famoso plano Schlieffen,
que também experimentara as culminâncias do
poder papal, sob o nome de Bento II.
Ao despertar de sua singular experiência com
o tempo, o General Von Moltke estava abalado
até às raízes de seu ser. Caberia a ele, um
ex-Papa, deslanchar todo aquele plano de destruição
e matança? Se não o fizesse, o que aconteceria
à sua então pátria?
Diz Ravenscroft que, após se reformas, Von Moltke
escreveu minucioso relato daquela experiência
notável. Também ele se deixou envolver pelo
misterioso fascínio da Lança de Longinus, que
certa vez visitou em companhia de outro General,
seu amigo; e, segundo o escritor inglês, conseguiu
apreender o verdadeiro sentido e importância
daquela peça, "como um poderoso símbolo
apocalíptico".
Acreditava ele que se deveram à sua própria
atitude negativa, como Nicolau I, em relação
ao intercâmbio com o mundo espiritual, os trágicos
desenganos que se sucederam na História subseqüente,
a começar pela separação da cristandade em duas
e o progressivo abandono da realidade espiritual
em favor das doutrinas materialistas, que "virtualmente
aprisionaram a criatura no mundo fenomênico
da medida, do número, do peso, tornando a própria
existência da alma humana objeto de dúvida e
debate" (Ravenscroft).
Por isso tudo, ao se erguer do sofá, Von Moltke
era outra criatura. Como explicar tudo aquilo
aos seus companheiros? Que decisões tomar agora,
na perspectiva do tempo e dos lamentáveis enganos
que havia cometido no passado, em prejuízo do
curso da História? Parece, no entanto, que não
dispunha de alternativa. Como Longinus, tinha
de praticar um ato de aparente violência, para
contornar uma crueldade maior. Tudo continuou
como fora planejado, mas o Chefe do Estado-Maior
não continuou como fora. Aliás, ao ser elevado
àquela posição pela sua inesgotável e indiscutível
capacidade profissional, houve dúvidas, em virtude
do seu temperamento meditativo e tranqüilo.
Seria realmente um bom General no momento de
crise que exigisse decisões drásticas? Era o
que se perguntavam seus adversários, mesmo reconhecendo
sua enorme autoridade técnica. Ao se retirar
do comando, diz Ravenscroft que ele era um homem
arrasado, porque mais do que nunca estava consciente
da tragédia de viver num mundo em que a violência
e a matança pareciam ser os únicos instrumentos
capazes de "despertar a humanidade para
as realidades espirituais".
Após a sua desencarnação, em 1916, com 68 anos
de idade, Von Moltke passou a transmitir uma
série de comunicações através da mediunidade
de sua esposa Eliza Von Moltke. Ah! que documento
notável deve ser esse! Foi numa dessas mensagens
que o Espírito do antigo Chefe do Estado-Maior
informou que o Führer do Terceiro Reich seria
Adolf Hitler, àquela época um obscuro e agitado
político, aparentemente sem futuro. Foi também
ele que, em Espírito, confirmou a antiga encarnação
de Hitler como Landulf de Cápua, o terrível
mágico medieval que vinha agora repetir, nos
círculos mais fechados do Partido, os rituais
de magia negra, cujo conhecimento trazia nos
escaninhos da memória integral.
Faltavam ainda algumas peças importantes para
consolidar as conquistas do jovem Hitler, mas
todas elas apareceriam no seu devido tempo e
executariam as tarefas para as quais haviam
sido rigorosamente programadas nos tenebrosos
domínios do mundo espiritual inferior. O General
Eric Ludendorff seria uma delas. Von Moltke
identificou-o com outro papa medieval, que governou
sob o nome de João VIII, que Ravenscroft classifica
como "o pontífice de mais negra memória
que se conhece em toda a história da Igreja
Romana, que, como amigo de Landulf de Cápua,
ajudou-o nas suas conspirações no século IX".
Novamente, sob as vestes de Eric Ludendorff,
o antigo Papa daria a mão para alçar Landulf
(agora Adolf) ao poder.
Outro elemento importante, nessa longa e profunda
reiniciação de Hitler, foi Karl Haushofer, que,
no dizer de Ravenscroft, "não apenas sentiu
o hálito da Besta Apocalíptica 3
no controle do ex-cabo demente, mas também buscou,
conscientemente e com maligna intenção, ensinar
a Hitler como desatrelar seus poderes contra
a humanidade, na tentativa de conquistar o mundo".
É um tipo estranho e mefistofélico esse Haushofer,
mas, se fôssemos aqui estudar todo o elenco
de extravagantes personalidades que cercaram
Hitler, seria preciso escrever outro livro.
Diz, porém, Ravenscroft que foi Haushofer quem
despertou em Hitler a consciência para o fato
de que operavam nele as motivações da "
Principalidade Luciferina", a fim de que
"ele pudesse torna-se veículo consciente
da intenção maligna no século vinte". (destaque
do autor)
Vejamos mais um episódio.
Em 1920, era tão patente,
através da Alemanha, essa expectativa messiânica,
que foi lançado na Universidade de Munich um
concurso de ensaios sobre o tema seguinte: "Como
deve ser o homem que liderará a Alemanha de
volta às culminâncias de sua glória?" O
vultoso prêmio em dinheiro foi oferecido por
um milionário alemão residente no Brasil (não
identificado por Ravenscroft) e quem o ganhou
foi um jovem chamado Rudolf Hess que, em tempos
futuros, seria o segundo homem da hierarquia
nazista! Sua concepção desse messias político
guarda notáveis similitudes com a figura do
Anticristo descrita nos famosos (e falsos) "Protocolos
do Sião", segundo Ravenscroft.
Consta que Hitler considerava Rudolf Steiner,
o místico, vidente e pensador austríaco como
seu arquiinimigo. Segundo informa Ravenscroft,
Steiner, em desdobramento espiritual, penetrava,
conscientemente, os mais secretos e desvairados
encontros, onde se praticavam rituais atrozes
para conjurar os poderes que sustentavam a negra
falange empenhada no domínio do mundo.
Que andaram muito perto dessa meta, não resta
dúvida. Conheciam muito bem a técnica do assalto
ao poder sobre o homem, através do próprio homem.
Hugh Trevor-Roper, no seu livro "The Last
Days of Adolf Hitler", transcreve uma frase
do Führer, que diz o seguinte:
Não vim ao mundo para tornar melhor o homem,
mas para utilizar-me de suas fraquezas.
Estava determinado a cumprir sua missão a qualquer
preço.
- Jamais capitularemos disse, certa vez,
repetindo o mesmo pensamento de sempre.
Não. Nunca. Poderemos ser destruídos, mas, se
o formos, arrastaremos o mundo conosco
um mundo em chamas.
Muito bem. É tempo de concluir. Por exemplo,
o que aconteceu com a Lança de Longinus? Continua
no Museu de Hofburg, em Viena, para onde foi
reconduzida após novas aventuras. Primeiro,
Hitler tomou posse dela, ao invadir a Austria,
em 1938 e lançou-a para a Alemanha, cercada
de tremendas medidas de segurança. Lá ficou
ela em exposição, guardada dia e noite, pelos
mais fiéis nazistas. Quando a situação da guerra
começou a degenerar para o lado alemão, construiu-se
secretíssima e inviolável fortaleza subterrânea
para guardá-la. Apenas meia dúzia de elevadas
autoridades do governo sabiam do plano. Uma
porta falsa de garagem disfarçava a entrada
desse vasto e sofisticado cofre-forte, em Nüremberg,
que o Führer ordenou fosse defendido até à última
gota de sangue.
Quando se tornou evidente que o Terceiro Reich
se desmoronava de fato, ante o avanço implacável
das tropas aliadas, Himmler achou que a Lança
de Longinus precisava de um abrigo alternativo.
Uma série de providências foi propaganda, com
uma remoção fictícia, para um ponto não identificado
da Alemanha; e outra, verdadeira, sob o véu
do mais fechado segredo, para um novo esconderijo,
onde o talismã do poder ficaria a salvo dos
inimigos do nazismo.
Por uma dessas misteriosas razões, no entanto,
um dos cinco ou seis oficiais nazistas que sabiam
do segredo, ao fazer a lista das peças que deveriam
ser removidas, mencionou a Lança de Mauritius,
aliás, o nome oficial da peça. Acontece que,
entre as peças históricas do Reich, havia uma
relíquia de nome parecido, ou seja, "A
Espada de Mauritius", e esta foi a peça
transportada, e não a Lança de Longinus. Na
Confusão que se seguiu, ninguém mais deu pelo
engano, e o oficial que o cometeu, um certo
Willi Liebel, suicidou-se pouco antes do colapso
total do Reich. A essa altura, Nüremberg não
era mais que um monte de ruínas e, por outro
estranho jogo de "coincidências",
um soldado americano. Perambulando pelas ruínas,
descobriu um túnel que ia dar em duas portas
enormes de aço com um mecanismo de segredo tão
imponente como o das casas-fortes dos grandes
bancos mundiais. Alguma coisa importante deveria
encontrar-se atrás daquelas portas. E assim,
às 14h10m do dia 30 de abril de 1947, a legítima
Lança de Longinus passou às mãos do exército
americano.
Naquele mesmo dia, como se em cumprimento de
misterioso desígnio, Hitler suicidou-se nos
subterrâneos da Chancelaria, em Berlim.
Como ficou dito atrás, a Lança de Longinus encontra-se
novamente no Museu Hofburg, em Viena. Estará
à espera de alguém que venha novamente disputar
a sua posse para dominar o mundo?
Vejamos, para encerrar, algumas considerações
de ordem doutrinária.
Haverá mesmo algum poder mágico ligado aos chamados
talismãs?
Questionados por Allan Kardec ( perguntas 551
a 557), os Espíritos trataram sumariamente da
questão, ensinando, porém, que "Não há
palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico,
nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os
Espíritos, porquanto estes só são atraídos pelo
pensamento e não pelas coisas materiais".
Continuando, porém, a linha do seu pensamento,
Kardec insistiu, com a pergunta 554, formulada
da seguinte maneira:
-
Não pode aquele que, com ou sem razão,
confia no que chama a virtude de um talismã,
atrair um Espírito, por efeito mesmo dessa
confiança, visto que, então, o que atua
é o pensamento, não passando o talismã de
um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?
-
É verdade - respondem os Espíritos
mas da pureza da intenção e da elevação
dos sentimentos depende a natureza do espírito
que é atraído.
Os destaques são meus e a
resposta à pergunta 554 prossegue, abordando
outros aspectos que não vêm ao caso tratar aqui.
Nota-se, porém, que os espíritos confirmaram
que os chamados talismãs servem de condensadores
de energia e vontade, e podem, portanto, servir
de suporte ao pensamento daquele que deseja
atrair companheiros desencarnados para ajudá-lo
na realização de seus interesses pessoais. Disseram
mais: que os Espíritos atraídos estarão em sintonia
moral com aqueles que os buscam, ou seja, se
as intenções e os sentimentos forem bons, poderão
acudir Espíritos bondosos; se, ao contrário,
as intenções forem malignas, virão os Espíritos
inferiores.
Por toda parte, no livro de Trevor Ravenscroft,
há referências repetidas de que duas ordens
de Espíritos estão ligadas à mística da Lança
de Longinus: os da luz e os das trevas, segundo
as intenções de quem os evoca.
Além disso, é preciso lembrar que os objetos
materiais guardam, por milênio a fora, certas
propriedades magnéticas, que preservam a sua
história. Essas propriedades estão hoje cientificamente
estudadas e classificadas como fenômenos de
psicometria, tão bem observados, entre outros,
por Ernesto Bozzano. Médiuns psicômetras, em
contato com objetos, conseguem rever, às vezes
com notável nitidez, cenas que se desenrolaram
em torno da peça de ferro deve estar altamente
magnetizada pelos acontecimentos de que foi
testemunha, desde que foi forjada alhures nos
tempos bíblicos, passando pelo momento do Calvário,
diante do Manso Rabi agonizante, até que Hitler
a perdeu em abril de 1945.
Seja como for, a peça reúne em torno de si uma
longa e trágica história, tão fascinante que
tem incendiado, através dos séculos, a imaginação
de muitos homens poderosos e desatado muitas
paixões nefandas. E, como explicaria os Espíritos
a Kardec, não é a Lança por si mesma que move
os acontecimentos, é o pensamento dos homens
que se concentram nela e querem a todo preço
fazer valer o poder que se lhe atribui. Nisso,
ela é realmente um talismã.
Ainda uma palavra antes de encerrar.
É certo que Hitler foi médium dedicado e desassombrado
de tremendos poderes das trevas. Esses irmãos
desarvorados, que se demoram, por milênios sem
conta, em caliginosas regiões do mundo espiritual,
por certo não desistiram da aspiração de conquistar
o mundo e expulsar a luz para sempre, se possível.
Tudo farão para obter esse galardão com o qual
sempre sonharam, muito embora a nós outros não
nos assista o direito de duvidar de que lado
ficará a vitória final.
Nesse ínterim, porém valer-se-ão de todos os
meios, de todos os processos, para alcançarem
seus fins.
É claro, também, que não se empenham apenas
no setor político-militar, por exemplo como
Hitler, mas, também procuram conquistar organizações
sociais e religiosas que representem núcleos
de poder. É evidente a obra maligna e hábil
que se realizou com a Igreja, infiltrando-a
em várias oportunidades e em vários pontos geográficos,
mas sempre nos altos escalões hierárquicos,
de onde melhor podem influenciar os acontecimentos
e a própria teologia.
O movimento espírita precisa estar atento a
essas investidas, pois é muito apurada a técnica
da infiltração. O lobo adere ao rebanho sob
a pele do manso cordeiro; ele não pode dizer
que vem destruir, nem pode apresentar-se como
inimigo; tem de aparecer com um sorriso sedutor,
de amizade e modéstia, uma atitude de desinteresse
e dedicação, um desejo de servir fraternalmente,
sem condições e, inicialmente, sem disputar
posições. Muitas vezes, esses emissários das
sombras nem sabem, conscientemente, que estão
servindo de instrumentos aos amigos da retaguarda.
A sugestão pós-hipnótica foi muito bem aplicada
por Espíritos altamente treinados na técnica
da manipulação da mente alheia. É a utilização
da fraqueza humana de que falava Hitler.
A estratégia é brilhantíssima e extremamente
sutil, como, por exemplo, a da "atualização"
e da "revisão" das obras básicas da
Codificação, a da criação de movimentos paralelos,
o envolvimento de figuras mais destacadas no
movimento em ardilosos processos de aparência
inocente ou inócua. Estejamos atentos, porque
os tempos são chegados e virão, fatalmente,
vigorosas investidas, antes que chegue a hora
final, numa tentativa última, desesperada, para
a qual valerá tudo. Muita atenção. Quem suspeitaria
de Adolf Hitler, quando ele compareceu, pela
primeira vez, a uma reunião de meia dúzia de
modestos dirigentes do Partido dos Trabalhadores?
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