| Da Lei
de Destruição Pena de Morte
Na questão 760 de "O Livro dos Espíritos"
encontramos a colocação de Kardec –
A pena de morte desaparecerá um dia da legislação
humana? Resposta - A pena de morte desaparecerá
incontestavelmente e sua supressão assinalará
um progresso da Humanidade.
Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de
morte será completamente abolida na Terra.
Os homens não terão mais necessidade
de ser julgados pelos homens. Falo de uma época
que ainda está muito longe de vós."
Na questão 764 encontramos o seguinte: "quem
matar pela espada perecerá pela espada".
Essas palavras não representam a consagração
da pena de Talião? E a morte imposta ao assassino
não é a aplicação dessa
pena? Resposta – Tomai tento! Estais equivocados
quanto a estas palavras, como sobre muitas outras.
A pena de Talião é a Justiça
de Deus; é Ele quem aplica. Não vos
disse também Jesus "perdoai os vossos
inimigos" E não vos ensinou a pedir a
Deus que perdoe as vossas ofensas da maneira que perdoastes,
ou seja, na mesma proporção em que houverdes
perdoado? Compreendei bem isso.
Vamos encontrar no Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. XI item 14 numa comunicação de
Elisabethl da França (Havre, 1862), um trecho
o qual se lê: "Não vos cabe dizer
de um criminoso. É um miserável; deve-se
expurgar para um ser de tal espécie, a morte
que lhe infligem.
Não. Não é assim que vos compete
falar. Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele,
se visse junto de si um desses desgraçados?
Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente
bem digno de piedade, estender-lhe-ia a mão.
Em realidade, não podeis fazer o mesmo; mas,
pelo menos, podeis orar por ele, assistir-lhe o Espírito
durante o tempo que ainda haja de arrependimento,
se orardes com fé. É homem; sua alma,
transviada e revoltada, foi criada como a vossa para
se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lameiro
e orai por ele."
Eliseu F. Mota Jr. Em seu livro Pena de Morte e Crimes
hediondos à Luz do Espiritismo, tece comentários
no capítulo 4 sobre a Pena de Talião,
já colocado no início deste pequeno
trabalho e sobre as questões do O Livro dos
Espíritos, mas depois prossegue de forma brilhante
apresentando alguns trechos contidos no livro de Fernando
Ortiz, A Filosofia Penal dos Espíritos. Diz
o professor Ortiz "É preciso que o homem
não feche a porta do arrependimento nesta vida,
ou, o que é o mesmo, o homem não deve
com o homicídio nem encarnação
humana; deve, antes, cooperar com os Espíritos
superiores na obra pedagógica de fazer progredir
o Espírito atrasado". O Espiritismo é
radicalmente contrário a pena capital não
apenas porque consagra todos os argumentos dos seus
adversários, mas sobretudo porque entende que
a morte do aparelho físico do criminoso não
resolve nenhum problema, mas causa uma série
deles. Mota Jr. Prossegue colocando a linha de raciocínio
da Doutrina Espírita sobre o assunto. O criminoso
violento é um Espírito moralmente atrasado
em relação à grande massa da
humanidade. Desse modo, a execução de
um delinqüente, mesmo quando comprovada a sua
responsabilidade pelo mais hediondo dos crimes, irá
apenas livrar da carne uma entidade estacionada na
prática do mal, que passará a viver
no espaço, onde tem todas as possibilidades
para continuar sugerindo conselhos pérfidos
aos antigos comparsas que prosseguem na atividade
criminosa, além das obsessões que poderá
ocasionar aos seus algozes. Esses processos obsessivos
são muitas vezes confundidos pelos psiquiatras
com a loucura e desconhecendo a causa e não
prescrevendo o tratamento adequado tornam-se incuráveis.
A ciência humana e a religião dogmática
ignoram o que aconteceu com o criminoso a partir da
morte do seu corpo. Cabe ao Espiritismo, reiterar
uma vez mais que o Espiritismo, reiterar uma vez mais
que o homem não é um corpo que tem alma
e sim um Espírito eterno ocupado provisoriamente
um corpo. Morto este, a alma retornar para o mundo
dos Espíritos.
Divaldo Franco em uma de suas palestras falando sobre
Pena de Morte colocou o seguinte:
"A pena de morte é a vingança do
Estado contra o delinqüente, é a falência
da missão educadora" e acrescenta "Ainda
que alguns governos instituam e legalizem a pena de
morte ela será legal, mas continuará
sendo imoral."
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