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O Espiritismo O Livro dos Médiuns - primeira parte, cap. III

O Espiritismo


5. O Espiritismo é a nova Ciência que vem revelar aos homens, através de provas irrefutáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material. Ele nos mostra esse mundo, não mais como sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e ininterruptamente atuantes da natureza, como a fonte de uma inumerável quantidade de fenômenos incompreendidos até agora, e por essa mesma razão rejeitados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. Foi a isto que o Cristo se referiu em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que Ele disse permaneceram incompreendidas ou foram falsamente interpretadas. O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.

6. A Lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento, em Cristo; o Espiritismo é a Terceira Revelação da lei de Deus, mas não está personificado em ninguém, pois é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, sobre todos os pontos da Terra e para uma incontável multidão de intermediários. É de alguma forma um ser coletivo, compreendendo o conjunto de seres
do mundo espiritual, cada qual trazendo aos homens o tributo de suas luzes para dar a conhecer a este mundo o destino que os aguarda.

7. Assim como Cristo disse: "Eu não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento", o Espiritismo enuncia, igualmente, não ter vindo contrariar os ensinamentos do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, o que somente foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Então, o Espiritismo é obra do Cristo, que o preside, assim como havia igualmente anunciado; a regeneração que se opera e que prepara o reino de Deus na Terra.


Aliança da Ciência com a Religião



8. A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, a outra as leis do mundo moral. Mas tanto uma quanto a outra, tendo o mesmo princípio que é Deus, não podem contradizer-se. Se elas são a negação uma da outra, uma está necessariamente errada e a outra certa, pois Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade que se acreditou existir entre estas duas ordens de idéias, provém de uma falha de observação e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Daí o conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.

Chegou-se o tempo no qual os ensinamentos de Jesus Cristo devem receber o seu complemento; no qual o véu colocado propositalmente sobre algumas partes deste ensinamento deve ser levantado; no qual a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e no qual a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando no mesmo passo, sirvam uma de apoio para a outra. Assim, a Religião, não mais desmentida pela Ciência, conquistará um poder inabalável, pois estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor à irresistível lógica dos fatos.

A Ciência e a Religião não puderam entender-se até hoje, porque cada uma entrevê as coisas através de seu exclusivo ponto de vista, repelindo-se mutuamente. Era preciso algo para preencher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo material, leis tão imutáveis como as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Estas relações, uma vez constatadas pela experiência, cria uma nova luz. Quando a fé se dirige à razão, esta nada encontra de ilógico na fé, e o materialismo é vencido. Mas nisso, como em todas as coisas, há pessoas que permanecem para trás, até que sejam arrastadas pelo movimento geral, que as esmagará se a ele resistirem, no lugar de a ele se juntarem. É toda uma revolução moral que se opera neste momento, e para a qual os Espíritos trabalham. Depois de ser elaborada, durante mais de dezoito séculos, ela chega ao seu cumprimento, e marcará uma nova era para a Humanidade. As conseqüências desta revolução são fáceis de prever. Ela deve produzir inevitáveis modificações para as relações sociais, contra o que ninguém tem o poder de se opor, pois estão nos desígnios de Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de Deus.

O Livro dos Médiuns - primeira parte, cap. III

As várias classes de espíritas (questões 26 a 28)

26 - Uma classe muito numerosa, a mais numerosa de todas, mas que não poderia figurar entre os opositores, é a dos vacilantes, São geralmente espiritualistas por princípio. Na sua maioria têm uma vaga intuição das idéias espíritas e desejam alguma coisa que não podem definir. Falta-lhes apenas coordenar e formular os seus pensamentos. O Espiritismo aparece-lhes como um raio de luz: é a claridade que afugenta as névoas. Por isso o acolhem com sofreguidão, pois ele os liberta das angústias da incerteza.

27_ Se lançarmos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os espíritas sem o saber. São uma variedade ou uma subdivisão da classe dos vacilantes. Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Espírita, têm o sentimento inato dos seus grandes princípios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os filósofos antigos e modernos.

28_ Entre os que se convencem estudando diretamente o assunto podemos distinguir:

1- Os que acreditam pura e simplesmente na manifestações. Consideram o Espiritismo como uma simples ciência de observação, apresentando uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: espíritas experimentadores.

2- Os que não se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influência da Doutrina sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Não modificam em nada os seus hábitos e não se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insensível, o orgulhoso cheio de amor-próprio, o invejoso e o ciumento sempre agressivos. Para eles, a caridade cristã não passa de uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.

3- Os que não se contentam em admirar apenas a moral espírita, mas a praticam e aceitam todas as suas conseqüências. Convictos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar na senda do progresso, única que pode eleva-los de posição no Mundo dos Espíritos, esforçando-se para fazer o bem e reprimir as suas más tendências. Sua amizade é sempre segura, porque a sua firmeza de convicção os afasta de todo mau pensamento. A caridade é sempre a sua regra de conduta. São esses os verdadeiros espíritas, ou melhor os espíritas cristãos.

4- Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega a freqüentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo. São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as conseqüências o mal seria menor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional. Sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.

 



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