| Espírito
e matéria; Não vim destruir a lei; Cristo
Espírito e matéria (O Livro
dos Espíritos - primeiro livro - cap. II - questões
21 e 22)
A matéria existe desde toda a eternidade como Deus,
ou foi criada por Ele em um tempo específico?
"Somente Deus o sabe. No entanto, uma coisa que
a razão lhes deve indicar, é que Deus, modelo de amor
e de caridade, jamais tem estado inativo. Por mais
distante que possa figurar o princípio de sua ação,
há como imaginá-lo, um segundo, na ociosidade?"
Define-se geralmente a matéria como: o que tem
extensão, o que pode provocar impressão sobre os sentidos
e o que é impenetrável (1)
- essa definição é exata?
"Sob este ponto de vista, é exato, porque fala-se
segundo o que se conhece; mas a matéria existe em
estados que são desconhecidos ao homem na Terra. Pode
ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que não provoque
nenhuma impressão sobre os sentidos; no entanto, é
sempre matéria mesmo que para os homens isso não o
seja."
(1) Impenetrabilidade:
o termo define a incapacidade que dois corpos têm
de ocupar o mesmo espaço simultaneamente. Não deve
ser confundido com extensão, que é simplesmente a
capacidade de ocupar espaço. Fonte: KARDEC, Allan
- The Spirit's Book, Allan Kardec Educational Society,
Philadelphia, USA, 1996. Tradução das notas: Sonia
Theodoro da Silva. (N. do E.)
Não vim destruir a lei (Evangelho
Segundo o Espiritismos - cap. I)
As três revelações: Moisés, Cristo, o Espiritismo
- Aliança da Ciência com a Religião - Instruções dos
Espíritos: A nova era.
1. Jamais penseis que eu vim
destruir a lei ou os profetas; não vim destruí-los,
mas dar-lhes cumprimento, pois em verdade vos digo
que o céu e a terra não passarão, antes que tudo o
que está na lei seja perfeitamente cumprido, até o
último jota e o último ponto. (Mateus, V:17-18) Moisés
2. Há duas partes distintas
na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o
Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida
por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada
aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com
o tempo.
A lei de Deus está formulada nos
dez mandamentos seguintes:
I - Eu sou o Senhor teu Deus,
que te tirou do Egito, da casa de servidão. Não terás
deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para
ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo
o que estiver acima, no céu, e embaixo, na terra,
nem de tudo o que houver nas águas sob a terra. Não
adorarás e não lhes renderá culto.
II - Não tomarás o nome do Senhor
teu Deus em vão.
III - Lembra-te de santificar
o dia de sábado.
IV - Honrarás teu pai e tua
mãe, a fim de que vivas longo tempo sobre a terra
que o Senhor teu Deus te dará.
V - Não matarás.
VI - Não cometerás adultério.
VII - Não furtarás.
VIII - Não levantarás falso
testemunho contra o teu próximo.
IX - Não desejarás a mulher
do próximo.
X - Não cobiçarás a casa do
teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem
o seu boi, nem o seu jumento, nem nenhuma das coisas
que a ele pertencer.
Esta lei é de todos os tempos e de
todas as nações e tem, por isso mesmo, um caráter
divino. Todas as outras são leis estabelecidas por
Moisés, obrigado a manter, pelo temor, um povo naturalmente
turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater
abusos enraizados e preconceitos adquiridos durante
a servidão do Egito. Para dar autoridade às suas leis,
ele teve de lhes atribuir uma origem divina, assim
como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos.
A autoridade do homem devia apoiar-se sobre a autoridade
de Deus. Mas a idéia de um Deus terrível poderia apenas
impressionar os homens ignorantes, nos quais o senso
moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam
pouco desenvolvidos. É bem evidente que aquele que
havia colocado em seus mandamentos: "Não matarás"
e "Não farás mal ao teu próximo", não poderia contradizer-se,
ao fazer do extermínio um dever. As leis mosaicas,
propriamente ditas, tinham, portanto, um caráter essencialmente
transitório.
Cristo
3. Jesus não veio destruir
a lei, isto é, a lei de Deus; ele veio cumpri-la,
ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido
e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens.
É por isso que se encontra nesta lei o princípio dos
deveres em relação a Deus e ao próximo, o que constitui
a base de sua Doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente
ditas, Jesus, ao contrário, modificou-as profundamente,
no fundo e na forma. Ele sempre combateu o abuso das
práticas exteriores e as falsas interpretações, e
não poderia fazê-las sofrer uma reforma mais radical
do que reduzindo-as a estas palavras: "Amai a Deus
acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo",
e acrescentando: Aí está toda a lei e os profetas.
Por estas palavras: "O céu e a terra
não passarão, enquanto não se cumprir até o último
jota", Jesus quis dizer que era necessário que a lei
de Deus fosse cumprida, ou seja, que fosse praticada
sobre toda a Terra, em toda a sua pureza, com todos
os seus desenvolvimentos e conseqüências, pois de
que serviria ter estabelecido essa lei se fosse para
privilegiar alguns homens ou mesmo um só povo? Todos
os homens, sendo filhos de Deus, são, sem distinções,
objetos do mesmo cuidado.
4. Mas o papel de Jesus não
foi simplesmente o de um legislador moralista sem
outra autoridade além de sua palavra. Ele veio cumprir
as profecias que haviam anunciado a sua vinda. Sua
autoridade vinha da natureza excepcional de seu Espírito
e de sua missão divina. Ele veio ensinar aos homens
que a verdadeira vida não está sobre a Terra, mas
no Reino dos Céus; mostrar o caminho que os conduz
até lá, os meios de se re-conciliarem com Deus, e
os advertir sobre a marcha das coisas vindouras, para
o cumprimento dos destinos humanos. Entretanto, Ele
não disse tudo e, sobre muitos pontos, se limitou
a lançar o germe de verdades que Ele mesmo declarou
não poderem ser então entendidas. Jesus falou de tudo,
mas em termos mais ou menos explícitos. Para encontrar
o sentido oculto de certas palavras, seria necessário
que novas idéias e novos conhecimentos viessem dar-nos
a chave. Essas idéias não poderiam vir antes de um
certo grau de maturidade do espírito humano.
A Ciência devia contribuir poderosamente
para o apare-cimento e o desenvolvimento dessas idéias.
Era preciso, pois, o Espiritismo dar à Ciência o tempo
de progredir.
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