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Atributos da Divindade e O Cristo
Consolador Atributos da Divindade
(O Livro dos Espíritos - Livro Primeiro,
cap. I, questões de 10 a 13)
Atributos da Divindade
Pode o homem compreender a natureza
íntima de Deus?
"Não, esse é um sentido que lhe falta."
Será concedido ao homem, um dia, compreender
o mistério da Divindade?
"Quando o seu Espírito não for mais
obscurecido pela matéria e, por sua perfeição, tiver
se aproximado dela, então a verá e compreenderá."
A inferioridade das faculdades humanas não permite
ao homem compreender a natureza íntima de Deus. Na
infância da Humanidade, ele o confundiu muitas vezes
com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui. Entretanto,
à medida que o seu senso moral se desenvolve, seu
pensamento penetra mais a fundo na essência das coisas
e ele adquire uma idéia mais justa e mais conforme
à legítima razão, embora sempre incompleta."
Embora a natureza íntima de Deus seja
impossível ao nosso entendimento, podemos estimar
algumas de suas perfeições?
"Sim, algumas. O homem as compreende
melhor, à medida que se eleva além da matéria; então,
terá condições de compreendê-las."
Quando dizemos que Deus é eterno, infinito,
imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberana-mente
justo e bom, não temos uma idéia completa de seus
atributos?
"Sob o ponto de vista humano, sim,
porque acredita-se tudo poder abarcar; mas há coisas
além da inteligência do mais inteligente dos homens
e para as quais a sua linguagem, limitada às suas
idéias e às suas sensações, não tem forma de expressão.
A razão lhes diz que Deus deve ter essas perfeições
em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos,
ou que não fosse a um grau infinito, não seria superior
a tudo e, por conseqüência, não seria Deus. Por estar
acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito
a qualquer vicissitude e não pode ter qualquer imperfeição
que a imaginação possa conceber."
Deus é Eterno; se tivesse tido
um começo, teria saído do nada ou teria sido criado
por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos
ao infinito e à eternidade.
É Imutável; pois se estivesse
sujeito às mudanças, as leis que regem o Universo
não teriam nenhuma estabilidade.
É Imaterial; sua natureza difere
de tudo o que chamamos matéria; de outro modo, Ele
não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações
da matéria.
É Único; se existissem vários
deuses, não haveria unidade de visão nem de poder
na ordenação do Universo.
É Todo-Poderoso; porque é único.
Se não tivesse o poder soberano, haveria algo mais
poderoso ou tão poderoso quanto Ele, que assim não
teria feito todas as coisas e as que não fizesse seriam
a obra de um outro Deus.
É Soberanamente Justo e Bom;
a sabedoria providencial das leis divinas se revela
nas menores coisas como nas maiores e essa sabedoria
não nos permite duvidar da sua justiça nem da sua
bondade.
Panteísmo (O Livro dos Espíritos -
questões 14 à 16)
Deus é um ser distinto, ou seria, segundo
opinam alguns, a resultante de todas as forças e de
todas as inteligências do Universo reunidas?
"Se assim o fosse, Deus não existiria,
porque seria o efeito e não a causa; Ele não pode
ser, ao mesmo tempo, tanto uma quanto outra. Deus
existe, não se pode duvidar, isso é essencial. Creiam-me,
pois ir mais além seria lançar-se num labirinto de
onde não se poderia sair. Este conhecimento não os
tornaria melhores, mas porventura mais orgulhosos,
porque acreditariam saber o que na realidade não sabem.
Deixem, portanto, de lado todos esses sistemas e teorias;
há muitas coisas que cabe aos homens desembaraçar-se.
Isto lhes será mais útil do que pretender penetrar
no que é impenetrável."
O que pensar da opinião segundo a qual
todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos
os planetas e sistemas do Universo seriam partes da
Divindade, constituindo por seu conjunto, a própria
Divindade, ou seja, o que presumir da doutrina panteísta?
"O homem, incapaz de tornar-se
Deus, quer ao menos ser uma parte de Deus."
Os que professam essa doutrina pretextam
nela encontrar a demonstração de alguns dos atributos
de Deus. Os mundos sendo infinitos, Deus é, por isso
mesmo, infinito; o vazio ou o nada não existindo em
parte alguma, Deus está por toda a parte; estando
Deus em toda a parte - pois que tudo é parte integrante
de Deus - dá a todos os fenômenos da Natureza uma
razão de ser inteligente.
O que se pode opor a este raciocínio?
"A razão. Reflita-se maduramente e
não será difícil reconhecer-lhe o absurdo." Essa Doutrina
faz de Deus um ser material que, embora, dotado de
uma inteligência suprema, seria a nossa própria projeção,
em larga escala. Se constituído de matéria que se
transforma sem cessar, Deus não teria nenhuma estabilidade;
estaria sujeito a todas as vicissitudes e necessidades
da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais
da Divindade: a imutabilidade. Não podemos ligar as
propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que o
rebaixemos em nosso pensamento. Todas as sutilezas
do sofisma não chegariam a resolver o problema de
sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é,
mas sabemos o que não pode ser, pois essa teoria opõe-se
aos seus atributos; confunde a criatura com o criador,
como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse
uma parte integrante do mecânico que a tenha concebido.
A inteligência de Deus se revela em
Suas obras, como a de um pintor em seu quadro; mas
as obras de Deus não são o próprio Deus, assim como
o quadro não é o pintor que o concebeu e executou
(2)" .
(2) "Estamos
com Deus e somos em Deus" - com esta frase, quiseram
alguns que Baruch de Espinosa (1632-1677) estaria
reafirmando o panteísmo. Entretanto, Espinosa quebra
a rigidez panteísta, desmembrando o conceito em 2
momentos: Natura Naturans (Deus como Natureza Criadora)
e Natura Naturata (Natureza Criada), realizando assim,
a idéia embrionária existente no espírito de Descartes:
um Deus imanente na Criação. (N. do E.).
O Cristo Consolador (O Evangelho Segundo
o Espiritismo - cap. VI)
O jugo leve
1. Vinde a mim, vós todos que
estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que
sou manso e humilde de coração, e encontrareis o repouso
de vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo
é leve. (Mateus, XI:28-29-30)
2. Todos os sofrimentos: misérias,
decepções, dores físicas, perdas de entes queridos,
encontram sua consolação na fé do futuro, e na confiança
na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos
homens. Para aquele que, ao contrário, nada espera
depois desta vida, ou que simplesmente duvida, as
aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança
vem amenizar sua amargura. Foi isto o que Jesus disse:
"Vinde a mim todos vós que estais fatigados, e eu
vos aliviarei." Entretanto, Jesus põe uma condição
para a sua ajuda e para a felicidade que promete aos
aflitos. Essa condição está na própria lei que Ele
ensina, seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse
jugo é leve e essa lei é suave, pois impõem como dever
o amor e a caridade.
O Consolador prometido
3. Se me amais, guardai meus
ensinamentos - e eu pedirei ao meu Pai e Ele vos enviará
um outro consolador, a fim de que permaneça eternamente
convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não pode
receber, porque não o vê, e nem o conhece. Mas, vós
o conhecereis, pois Ele permanecerá convosco e estará
em vós. - Mas o Consolador, que é o Espírito Santo,
a quem meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas
as coisas, e vos fará relembrar de tudo o que eu vos
disse. (João, XIV:15-17 e 26)
4. Jesus promete um outro Consolador:
é o Espírito da Verdade - que o mundo ainda não conhece,
pois não estava maduro para compreendê-lo - e que
o Pai enviará para ensinar todas as coisas e lembrar
aquilo que o Cristo disse. Se, então, o Espírito da
Verdade deve vir mais tarde, para ensinar todas as
coisas, é que o Cristo não disse tudo. Se ele fará
lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi
esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, no tempo certo,
cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade
preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens
à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo
compreender o que o Cristo apenas disse em parábolas.
O Cristo disse: "que ouçam aqueles que têm ouvidos
para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os
ouvidos, pois fala sem floreios nem alegorias. Levanta
o véu propositadamente lançado sobre certos mistérios,
vem, enfim, trazer uma suprema consolação aos deserdados
da Terra e a todos os que sofrem, dando uma causa
justa e um objetivo útil a todas as dores.
O Cristo disse: "Bem-aventurados os
aflitos, pois eles serão consolados". Mas como se
pode ser feliz por sofrer se não se sabe porque se
sofre? O Espiritismo mostra que a causa está nas existências
anteriores e na própria destinação da Terra, onde
o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo,
dizendo que os sofrimentos são como as crises salutares
que levam à cura, são a purificação que assegura a
felicidade nas existências futuras. O homem compreende
que mereceu sofrer e percebe que o sofrimento é justo.
Ele sabe que esse sofrimento ajuda a sua evolução
e o aceita sem lamentações, como o trabalhador aceita
o trabalho que lhe assegura o salário. O Espiritismo
lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente
não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas
do alto, a importância das vicissitudes terrenas se
perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca,
e a perspectiva da felicidade que o espera dá a ele
paciência, resignação e coragem para ir até o fim
do caminho.
Assim, o Espiritismo cumpre o que Jesus
disse do Consolador Prometido: dá o conhecimento das
coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde
vai e por que está na Terra, lembrança dos verdadeiros
princípios da lei de Deus e consolação pela fé e pela
esperança.
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