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Sematologia, Tipologia,
Pneumatografia e Escrita direta (quest. 64; 145 a148;
150 e 151)
64 - Outro fenômeno que se produz com freqüência,
de acordo com a natureza do médium, é
o das pancadas no próprio tecido da madeira,
sem que a mesa faça qualquer movimento. Essas
pancadas, às vezes muito fracas, outras vezes
muito fortes, se fazem também ouvir nos outros
móveis do compartimento, nas paredes e no forro.
Dentro em pouco voltaremos a esta questão.
Quando as pancadas se dão na mesa, produzem
nesta uma vibração muito apreciável
por meio dos dedos e que se distingue perfeitamente
quando aplicamos o ouvido.
145. Resta-nos destruir um erro assaz espalhado:
o de confundirem-se com os Espíritos batedores
todos os Espíritos que se comunicam por meio
de pancadas. A tiptologia constitui um meio de comunicação
como qualquer outro, e que não é, mais
do que o da escrita, ou da palavra, indigno dos Espíritos
elevados. Todos os Espíritos, bons e maus,
podem servir-se dele, como dos diversos outros existentes.
O que caracteriza os Espíritos superiores é
a elevação das idéias e não
o instrumento de que se utilizem para exprimi-las.
Sem dúvida, eles preferem os meios mais cômodos
e, sobretudo, mais rápidos; mas, em falta de
lápis e papel, não escrupulizarão
de valer-se da vulgar mesa falante e a prova é
que, por esse meio, se obtém os mais sublimes
ditados. Se dele não nos servimos, não
é porque o consideremos desprezível,
porém unicamente porque, como fenômeno,
já nos ensinou tudo o que pudéramos
vir a saber, nada mais lhe sendo possível acrescentar
às nossas convicções, e porque
a extensão das comunicações que
recebemos exige uma rapidez com a qual é incompatível
a tiptologia.
Assim, pois, nem todos os Espíritos que se
manifestam por pancadas são batedores. Este
qualificativo deve ser reservado para os que poderíamos
chamar batedores de profissão e que, por este
meio, se deleitam em pregar partidas, para divertimentos
de umas tantas pessoas, em aborrecer com as suas importunações.
Pode-se esperar que algumas vezes dêem coisas
espirituosas; porém, coisas profundas, nunca.
Seria, conseguintemente, perder tempo formular-lhes
questões de certo porte científico,
ou filosófico. A ignorância e a inferioridade
que lhes são peculiares deram motivo a que,
com justeza, os outros Espíritos os qualificassem
de palhaços, ou saltimbancos do mundo espírita.
Acrescentemos que, além de agirem quase sempre
por conta própria, também são
amiúde instrumentos de que lançam mão
os Espíritos superiores, quando querem produzir
efeitos materiais.
146. A pneumatografia é a escrita produzida
diretamente pelo Espírito, sem intermediário
algum; difere da psicografia, por ser esta a transmissão
do pensamento do Espírito, mediante a escrita
feita com a mão do médium.
O fenômeno da escrita direta é, não
há negar, um dos mais extraordinários
do Espiritismo; mas, por multo anormal que pareça,
à primeira vista, constitui hoje fato averiguado
e incontestável. A teoria, sempre necessária,
para nos inteirarmos da possibilidade dos fenômenos
espíritas em geral, talvez mais necessária
ainda se faz neste caso que, sem contestação,
é um dos mais estranhos que se possam apresentar,
porém que deixa de parecer sobrenatural, desde
que se lhe compreenda o princípio. Da primeira
vez que este fenômeno se produziu, a da dúvida
foi a impressão dominante que deixou. Logo
acudiu aos que o presenciaram a idéia de um
embuste. Toda gente, com efeito, conhece a ação
das tintas chamadas simpáticas, cujos traços,
a princípio completamente invisíveis,
aparecem ao cabo de algum tempo. Podia, pois, dar-se
que houvessem, por esse meio, abusado da credulidade
dos assistentes e longe nos achamos de afirmar que
nunca o tenham feito. Estamos até convencidos
de que algumas pessoas, seja com intuitos mercantis,
seja apenas por amor-próprio e para fazer acreditar
nas suas faculdades, hão empregado subterfúgios.
(Veja-se o capítulo das Fraudes).
Entretanto, do fato de se poder imitar uma coisa,
fora absurdo concluir-se pela sua inexistência.
Nestes últimos tempos, não se há
encontrado meio de imitar a lucidez sonambúlica,
a ponto de causar ilusão? Mas, por que esse
processo de escamoteação se tenha exibido
em todas as feiras, dever-se-á concluir que
não haja verdadeiros sonâmbulos? Por
que certos comerciantes vendem vinho falsificado,
será uma razão para que não haja
vinho puro? O mesmo sucede com a escrita direta. Bem
simples e fáceis eram, aliás, as precauções
a serem tomadas para garantir da realidade do fato
e, graças a essas precauções,
já hoje ele não pode constituir objeto
da mais ligeira dúvida.
147. Uma vez que a possibilidade de escrever sem
intermediário representa um dos atributos do
Espírito; uma vez que os Espíritos sempre
existiram desde todos os tempos e que desde todos
os tempos se hão produzindo os diversos fenômenos
que conhecemos, o da escrita direta igualmente se
há de ter operado na antigüidade, tanto
quanto nos dias atuais. Deste modo é que se
pode explicar o aparecimento das três palavras
célebres, na sala do festim de Baltazar. A
Idade Média, tão fecunda em prodígios
ocultos, mas que eram abafados por meio das fogueiras,
também conheceu necessariamente a escrita direta,
e possível é que. na teoria das modificações
por que os Espíritos podem fazer passar a matéria,
teoria que desenvolvemos no capítulo VIII,
se encontre o fundamento da crença na transmutação
dos metais.
Todavia, quaisquer que tenham sido os resultados obtidos
em diversas épocas, só depois de vulgarizadas
as manifestações espíritas foi
que se tomou a sério a questão da escrita
direta. Ao que parece, o primeiro a torná-la
conhecida, estes últimos anos, em Paris, foi
o barão de Guldenstubbe, que publicou sobre
o assunto uma obra muito interessante, com grande
número de fac similes das escritas que obteve.
O fenômeno já era conhecido na América,
havia algum tempo. A posição social
do Sr. Guldenstubbe, sua independência, a consideração
de que goza nas mais elevadas rodas incontestavelmente
afastam toda suspeita de fraude intencional, porquanto
nenhum motivo de interesse havia a que ele obedecesse.
Quando muito, o que se poderia supor, é que
fora vítima de uma ilusão; a isto, porém,
um fato responde peremptoriamente: o de haverem outras
pessoas obtido o mesmo fenômeno, cercadas de
todas as precauções necessárias
para evitar qualquer embuste e qualquer causa de erro.
148. A escrita direta se obtém, como, em geral,
a maior parte das manifestações espíritas
não espontâneas, por meio da concentração,
da prece e da evocação. Têm-se
produzido em igrejas, sobre túmulos, no sopé
de estátuas, ou imagens de personagens evocadas.
Evidente, porem, é que o local nenhuma outra
influência exerce, além da de facultar
maior recolhimento espiritual e maior concentração
dos pensamentos; porquanto, provado está que
o fenômeno se obtém, igualmente, sem
esses acessórios e nos lugares mais comuns,
sobre um simples móvel caseiro, desde que os
que desejam obtê-lo se achem nas devidas condições
morais e que entre esses se encontre quem possua a
necessária faculdade mediúnica.
Julgou-se, a princípio, ser preciso colocar-se
aqui ou ali um lápis com o papel. O fato então
podia, até certo ponto, explicar-se. E sabido
que os Espíritos produzem o movimento e a deslocação
dos objetos; que, algumas vezes, os tomam e atiram
longe.
Bem podiam, pois, tomar também do lápis
e servir-se dele para traçar letras. Visto
que o
impulsionam, utilizando-se da mão do médium,
de uma prancheta, etc., podiam, do mesmo modo, impulsioná-lo
diretamente. Não tardou, porém, se reconhecesse
que o lápis era dispensável, que bastava
um pedaço de papel, dobrado ou não,
para que, ao cabo de alguns minutos, se achassem nele
grafadas letras. Aqui, já o fenômeno
muda
completamente de aspecto e nos transporta a uma ordem
inteiramente nova de coisas.
As letras hão de ter sido traçadas com
uma substância qualquer. Ora, sendo certo que
ninguém forneceu ao Espírito essa substância,
segue-se que ele próprio a compôs.
Donde a tirou? Esse o problema. Quem queira reportar-se
às explicações dadas no capítulo
VIII, nºs 127 e 128, encontrará completa
a teoria do fenômeno. Para escrever dessa maneira,
o Espírito não se serve das nossas substâncias,
nem dos nossos instrumentos. - Ele próprio
fabrica a matéria e os instrumentos de que
há mister, tirando, para isso, os materiais
precisos, do elemento primitivo universal que, pela
ação da sua vontade, sofre as modificações
necessárias à produção
do efeito desejado. Possível lhe é,
portanto, fabricar tanto o lápis vermelho,
a tinta de imprimir, a tinta comum, como o lápis
preto, ou, até, caracteres tipográficos
bastante resistentes para darem relevo à escrita,
conforme temos tido ensejo de verificar. A filha de
um senhor que conhecemos, menina de 12 a 13 anos,
obteve páginas e páginas escritas com
uma substância análoga ao pastel.
150. Dado que podem produzir ruídos e pancadas,
os Espíritos podem igualmente fazer se ouçam
gritos de toda espécie e sons vocais que imitam
a voz humana, assim ao nosso lado, como nos ares.
A este fenômeno é que damos o nome de
pneumatofonia. Pelo que sabemos da natureza dos Espíritos,
podemos supor que, dentre eles, alguns, de ordem inferior,
se iludem e julgam falar como quando vivos. (Veja-se
Revue Spirite, fevereiro de 1858: História
da aparição de Mlle. Clairon.)
Devemos, entretanto, preservar-nos de tomar por vozes
ocultas todos os sons que não tenham causa
conhecida, ou simples zumbidos, e, sobretudo, de dar
o menor crédito à crença vulgar
de que, quando o ouvido nos zune, é que nalguma
parte estão falando de nós. Aliás,
nenhuma significação têm esses
zunidos, cuja causa é puramente fisiológica,
ao passo que os sons pneumatofônicos exprimem
pensamentos e nisso está o que nos faz reconhecer
que são devidos a uma causa inteligente e não
acidental. Pode-se estabelecer, como princípio,
que os efeitos notoriamente inteligentes são
os únicos capazes de atestar a intervenção
dos Espíritos. Quanto aos outros, há
pelo menos cem probabilidades contra uma de serem
oriundos de causas fortuitas.
151. Acontece freqüentemente ouvirmos, de modo
distinto, quando nos achamos meio adormecidos, palavras,
nomes, às vezes frases inteiras, ditas com
tal intensidade que nos despertam, espantados. Se
bem nalguns casos possa haver ai, na realidade, uma
manifestação, esse fenômeno nada
de bastante positivo apresenta, para que também
possa ser atribuído a uma causa análoga
à que estudamos desenvolvidamente na teoria
da alucinação, capítulo VI, ns.
111 e seguintes. Demais, nenhuma seqüência
tem o que de tal maneira se escuta. O mesmo, no entanto,
não acontece, quando se está inteiramente
acordado, porque, então, se é um Espírito
que se faz ouvir, quase sempre se podem trocar idéias
com ele e travar uma conversação regular.
Os sons espíritas, os pneumatofônicos
se produzem de duas maneiras distintas: às
vezes, é uma voz interior que repercute no
nosso foro íntimo, nada tendo, porém,
de material as palavras, conquanto sejam claramente
perceptíveis; outras vezes, são exteriores
e nitidamente articuladas, como se proviessem de uma
pessoa que nos estivesse ao lado.
De um modo, ou de outro, o fenômeno da pneumatofonia
é quase sempre espontâneo e só
muito raramente pode ser provocado.
Bibliografia - O Livro dos
Médiuns- Editora FEB-
As publicações da Codificação
Kardequiana de qualquer editora são válidas
para o acompanhamento do curso.
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