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Os
Meios de Comunicação - L.M. (Questões
29, 31, 32 e 34)
29. Os meios de convencer variam extremamente,
conforme os indivíduos. O que persuade
a uns nada produz em outros; este se convenceu
observando algumas manifestações
materiais, aquele por efeito de comunicações
inteligentes, o maior número pelo raciocínio.
Podemos até dizer que, para a maioria
dos que se não preparam pelo raciocínio,
os fenômenos materiais quase nenhum peso
têm. Quanto mais extraordinários
são esses fenômenos, quanto mais
se afastam das leis conhecidas, maior oposição
encontram e isto por uma razão muito
simples: é que todos somos levados naturalmente
a duvidar de uma coisa que não tem sanção
racional. Cada um a considera do seu ponto de
vista e a explica a seu modo: o materialista
a atribui a uma causa puramente física
ou a embuste; o ignorante e o supersticioso
a uma causa diabólica ou sobrenatural,
ao passo que uma explicação prévia
produz o efeito de destruir as idéias
preconcebidas e de mostrar, senão a realidade,
pelo menos a possibilidade da coisa, que, assim,
é compreendida antes de ser vista. Ora,
desde que se reconhece a possibilidade de um
fato, três quartos da convicção
estão conseguidos.
31. Para, no ensino do Espiritismo, proceder-se
como se procederia com relação
ao das ciências ordinárias, preciso
fora passar revista a toda a série
dos fenômenos que possam produzir-se,
começando pelos mais simples, para
chegar sucessivamente aos mais complexos.
Ora, isso não é possível,
porque possível não é
fazer-se um curso de Espiritismo experimental,
como se faz um curso de Física ou de
Química. Nas ciências
naturais, opera-se sobre a matéria
bruta, que se manipula à vontade, tendo-se
quase sempre a certeza de poderem regular-se
os efeitos. No Espiritismo, temos que lidar
com inteligências que gozam de liberdade
e que a cada instante nos provam não
estar submetidas aos nossos caprichos. Cumpre,
pois, observar, aguardar os resultados e colhê-los
à passagem. Daí o declararmos
abertamente que quem quer que blasone de os
obter à vontade não pode deixar
de ser ignorante ou impostor. Daí vem
que o verdadeiro Espiritismo jamais se dará
em espetáculo, nem subirá ao
tablado das feiras.
Há mesmo qualquer coisa de ilógico
em supor-se que Espíritos venham exibir-se
e submeter-se a investigações,
como objetos de curiosidade. Portanto, pode
suceder que os fenômenos não
se dêem quando mais desejados sejam,
ou que se apresentem numa ordem muito diversa
da que se quereria. Acrescentemos mais que,
para serem obtidos, precisa se faz a intervenção
de pessoas dotadas de faculdades especiais
e que estas faculdades variam ao infinito,
de acordo com as aptidões dos indivíduos.
Ora, sendo extremamente raro que a mesma pessoa
tenha todas as aptidões, isso constitui
uma nova dificuldade, porquanto mister seria
ter-se sempre à mão uma coleção
completa de médiuns, o que absolutamente
não é possível.
O meio, aliás, muito simples, de se
obviar a este inconveniente, consiste em se
começar pela teoria. Aí todos
os fenômenos são apreciados,
explicados, de modo que o estudante vem a
conhecê-los, a lhes compreender a possibilidade,
a saber em que condições podem
produzir-se e quais os obstáculos que
podem encontrar. Então, qualquer que
seja a ordem em que se apresentem, nada terão
que surpreenda. Este caminho ainda oferece
outra vantagem: a de poupar uma imensidade
de decepções àquele que
queira operar por si mesmo. Precavido contra
as dificuldades, ele saberá manter-se
em guarda e evitar a conjuntura de adquirir
a experiência à sua própria
custa.
Ser-nos-ia difícil dizer quantas as
pessoas que, desde quando começamos
a ocupar-nos com o Espiritismo, hão
vindo ter conosco e quantas delas vimos que
se conservaram indiferentes ou incrédulas
diante dos fatos mais positivos e só
posteriormente se convenceram, mediante uma
explicação racional; quantas
outras que se predispuseram à convicção,
pelo raciocínio; quantas, enfim, que
se persuadiram, sem nada nunca terem visto,
unicamente porque haviam compreendido.
Falamos, pois, por experiência e, assim,
também, é por experiência
que dizemos consistir o melhor método
de ensino espírita em se dirigir, aquele
que ensina, antes à razão do
que aos olhos. Esse o método que seguimos
em as nossas lições e pelo qual
somente temos que nos felicitar (1).
32. Ainda outra vantagem apresenta o estudo
prévio da teoria - a de mostrar imediatamente
a grandeza do objetivo e o alcance desta ciência.
Aquele que começa por ver uma mesa
a girar, ou a bater, se sente mais inclinado
ao gracejo, porque dificilmente imaginará
que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora
da humanidade.
Temos notado sempre que os que crêem,
antes de haver visto, apenas porque leram
e compreenderam, longe de se conservarem superficiais,
são, ao contrário, os que mais
refletem. Dando maior atenção
ao fundo do que à forma, vêem
na parte filosófica o principal, considerando
como acessório os fenômenos propriamente
ditos. Declaram então que, mesmo quando
estes fenômenos não existissem,
ainda ficava uma filosofia que só ela
resolve problemas até hoje insolúveis;
que só ela apresenta a teoria mais
racional do passado do homem e do seu futuro.
Ora, como é natural, preferem eles
uma doutrina que explica, às que não
explicam, ou explicam mal.
Quem quer que reflita compreende perfeitamente
bem que se poderia abstrair das manifestações,
sem que a Doutrina deixasse de subsistir.
As manifestações a corroboram,
confirmam, porém, não lhe constituem
a base essencial. O observador criterioso
não as repele; ao contrário,
aguarda circunstâncias favoráveis,
que lhe permitam testemunhá-las. A
prova do que avançamos é que
grande número de pessoas, antes de
ouvirem falar das manifestações,
tinham a intuição desta Doutrina,
que não fez mais do que lhes dar corpo,
conexão às idéias.
34. Singularmente se equivocaria, quanto à
nossa maneira de ver, quem supusesse que aconselhamos
se desprezem os fatos. Pelos fatos foi que
chegamos à teoria. E certo que para
isso tivemos de nos consagrar a assíduo
trabalho durante muitos anos e de fazer milhares
de observações. Mas, pois que
os fatos nos serviram e servem todos os dias,
seríamos inconseqüentes conosco
mesmo se lhes contestássemos a importância,
sobretudo quando compomos um livro para torná-los
conhecidos de todos.
Dizemos apenas que, sem o raciocínio,
eles não bastam para determinar a convicção;
que uma explicação prévia,
pondo termo às prevenções
e mostrando que os fatos em nada são
contrários à razão, dispõe
o indivíduo a aceitá-los.
Tão verdade é isto que, em dez
pessoas completamente novatas no assunto,
que assistam a uma sessão de experimentação,
ainda que das mais satisfatórias na
opinião dos adeptos, nove sairão
sem estar convencidas e algumas mais incrédulas
do que antes, por não terem as experiências
correspondido ao que esperavam. O inverso
se dará com as que puderem compreender
os fatos, mediante antecipado conhecimento
teórico. Para estas pessoas, a teoria
constitui um meio de verificação,
sem que coisa alguma as surpreenda, nem mesmo
o insucesso, porque sabem em que condições
os fenômenos se produzem e que não
se lhes deve pedir o que não podem
dar. Assim, pois, a inteligência prévia
dos fatos não só as coloca em
condições de se aperceberem
de todas as anomalias, mas também de
apreenderem um sem-número de particularidades,
de matizes, às vezes muito delicados,
que escapam ao observador ignorante. Tais
os motivos que nos forçam a não
admitir, em nossas sessões experimentais,
senão quem possua suficientes noções
preparatórias, para compreender o que
ali se faz, persuadido de que os que lá
fossem, carentes dessas noções,
perderiam o seu tempo, ou nos fariam perder
o nosso.
(1) O nosso ensino teórico e prático
é sempre gratuito.
Bibliografia - O Livro
dos Médiuns- Editora FEB-
As publicações da Codificação
Kardequiana de qualquer editora são
válidas para o acompanhamento do curso.
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