| Diferentes ordens
de Espíritos
Os Espíritos são iguais, ou
existe entre eles uma hierarquia?
"Eles pertencem a diferentes ordens segundo
o grau de perfeição que alcançaram."
Há um número determinado de
ordens ou de graus de perfeição
entre os Espíritos?
"O número é ilimitado, pois
não existe entre essas ordens uma linha
de demarcação limítrofe,
e assim, se podem multiplicar ou restringir
as divisões à vontade. No entanto,
se levarmos em consideração as
características gerais, pode-se reduzi-las
a três principais."
Na primeira ordem, os que chegaram à
perfeição: os Espíritos
puros; na segunda ordem, os que chegaram ao
meio da escala: o desejo do Bem é sua
preocupação. Os do último
grau estão, todavia, na base da escala:
são os Espíritos imperfeitos,
caracterizados pela ignorância, pelo desejo
do mal e todas as más paixões
que lhes retardam o avanço."
Os Espíritos da segunda ordem só
têm o desejo do bem; terão, igualmente,
o poder de fazê-lo?
"Eles têm esse poder dependendo do
grau de sua perfeição: uns têm
a Ciência, outros a sabedoria e a bondade;
mas todos ainda têm provas a sofrer."
Os Espíritos da terceira ordem são
todos essencialmente maus?
"Não, uns não fazem o bem
nem o mal. Outros, ao contrário, se comprazem
no mal e ficam satisfeitos quando encontram
ocasião para praticá-lo. Todavia,
existem os Espíritos levianos ou galhofeiros,
mais travessos que maldosos, que se comprazem
mais na malícia que na maldade, encontrando
o seu prazer em mistificar e causar pequenas
contrariedades, das quais se riem."
Evangelho Segundo o Espiritismo
- Cap. VII
Aquele que se elevar será
rebaixado
3. Naquela mesma hora, os discípulos
se aproximaram de Jesus, e lhe disseram: Quem
é o maior no Reino dos Céus?
- Jesus, chamando um menino, o colocou no
meio deles e lhes disse: Eu vos digo, na verdade,
se não vos converterdes e se não
vos tornardes como meninos, não entrareis
no Reino dos Céus. - Aquele, pois,
que se humilhar e se fizer pequeno como este
menino, será o maior no Reino dos Céus.
E aquele que receber em meu nome uma criança
como esta, é a mim mesmo que receberá.
(Mateus, XVIII:1-5)
4. Então, se aproximou dele a mãe
dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, e
o adorou, pedindo-lhe alguma coisa. - Ele
lhe disse: O que quereis? Dize a estes meus
dois filhos que se assentem em Vosso reino,
um à vossa direita e outro à
vossa esquerda. - Mas Jesus lhe respondeu:
Não sabeis o que me pedis; podeis vós
beber do cálice que eu hei de beber?
Eles lhe disseram: Nós podemos. - Ele
lhes respondeu: É verdade que haveis
de beber o meu cálice; mas pelo que
toca a terdes assento à minha esquerda
ou à minha direita, não cabe
a mim conceder-vos e sim para aqueles a quem
meu Pai preparou. Os outros dez apóstolos,
tendo entendido isso, indignaram-se contra
os dois irmãos. - E Jesus os chamou
a si , e lhes disse: Vós sabeis que
os príncipes das nações
dominam os seus vassalos, e que os maiores
os têm sob o seu poder. Não deve
ser assim entre vós; mas aquele que
quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor;
e aquele que quiser ser o primeiro, seja o
vosso escravo; assim como o Filho do Homem,
que não veio para ser servido, mas
para servir, e dar a sua vida pela redenção
de muitos. (Mateus, XX:20-28)
5. Jesus entrou, num sábado, na casa
de um dos principais fariseus, para lá
fazer a sua refeição, e os que
estavam lá o observavam. - Então,
considerando que os convidados escolhiam os
primeiros lugares, ele lhes propôs esta
parábola: Quando fores convidado a
um casamento, não pegues o primeiro
lugar, para não acontecer de haver
entre os convidados alguém mais importante
do que tu, e que aquele que te tenha convidado
não venha te dizer: Dá teu lugar
a esta pessoa e, então, tu, envergonhado,
vá buscar o último lugar. Mas,
quando fores convidado, vai sentar no último
lugar, para que, quando vier o que te convidou,
possa chegar e te dizer: Meu amigo, venha
para mais perto. E, então, esse será
um momento de glória na presença
dos que estiverem à mesa contigo, pois
aquele que se elevar será humilhado
e aquele que se humilha será elevado.
(Lucas, XIV:1 e 7-11)
6. Estas máximas são conseqüências
do princípio de humildade, que Jesus
sempre coloca como condição
essencial da felicidade prometida aos eleitos
do Senhor, e que ele formulou por essas palavras:
"Bem-aventurados os pobres de espírito,
porque é deles o reino dos céus."
Ele toma um menino como exemplo de simplicidade
de coração e diz: "Será
o maior no Reino dos Céus aquele que
se humilhar e se fizer pequeno como este menino"
- ou seja - aquele que não tiver pretensões
à supe-rioridade ou à infalibilidade.
O mesmo pensamento fundamental se encontra
nesta outra máxima: "Que aquele
que quiser se tornar o maior, seja aquele
que vos sirva", e ainda nesta: "Aquele
que se humilhar, será elevado e aquele
que se elevar será humilhado."
O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo
exemplo, nos mostrando que os grandes no reino
dos Espíritos são os que foram
pequenos na Terra, e que, freqüentemente,
são bem pequenos os que foram grandes
e poderosos. É que os primeiros levaram
consigo, ao morrer, apenas aquilo que unicamente
constitui a verdadeira grandeza no céu,
e que não se perde: as virtudes; enquanto
que os outros precisaram deixar aquilo que
fazia a sua grandeza na Terra, e que não
se pode levar: a riqueza, os títulos,
a glória, o nome. Não tendo
nada além disso, chegam ao outro mundo
desprovidos de tudo, como náufragos
que tudo perderam, até mesmo as roupas.
Apenas conservaram o orgulho, que torna a
sua nova posição ainda mais
humilhante, pois vêem acima deles, e
resplandecentes de glória, aqueles
que espezinharam na Terra.
O Espiritismo nos mostra uma outra aplicação
desse princípio nas encarnações
sucessivas, nas quais aqueles que mais se
elevaram em uma existência, são
humilhados até o último lugar
na existência seguinte, se forem dominados
pelo orgulho e pela ambição.
Não procureis, pois, o primeiro lugar
na Terra, nem vos coloqueis acima dos outros,
se não quiserdes ser obrigados a descer.
Procurai, ao contrário, o lugar mais
humilde e modesto, pois Deus saberá
dar-vos um mais elevado no céu, se
o merecerdes.
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