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Livro dos Espíritos - Livro 2 - cap.
I - questões 76 a 83- Origem e natureza
dos Espíritos
Como podemos definir os Espíritos?
"Pode-se dizer que os Espíritos
são os seres inteligentes da Criação.
Povoam o Universo além do mundo material."
Nota: A palavra Espírito é empregada
aqui para designar as individualidades extra-corpóreas
e não mais o elemento inteligente universal.
Os Espíritos são seres distintos
da Divindade ou seriam apenas emanações
ou porções da Divindade, chamados
por essa razão, filhos de Deus?
"Meu Deus! São sua obra, precisamente
como um homem que faz uma máquina; essa
máquina é a obra do homem, não
ele próprio. Sabe-se que, quando o homem
faz uma coisa bela, útil, ele a chama
sua filha, sua criação. Pois bem,
ocorre o mesmo com Deus: nós somos seus
filhos, porque somos sua obra."
Os Espíritos tiveram um princípio
ou como Deus, existem de toda a eternidade?
"Se os Espíritos não tivessem
tido um princípio, seriam iguais a Deus.
No entanto, são sua criação,
submetidos à sua vontade. Deus existe
de toda a eternidade, isso é incontestável,
mas não sabemos quando e como Ele criou.
Pode-se dizer que não tivemos princípio,
se com isso entender-se que Deus, sendo eterno,
tem criado sem cessar; mas quando e como cada
um de nós foi criado, eu lhe digo, mais
uma vez, ninguém o sabe: isso é
mistério."
Por existirem dois elementos gerais no Universo,
o elemento inteligente e o elemento material,
poder-se-ia dizer que os Espíritos são
formados do elemento inteligente, como os corpos
inertes são formados do elemento material?
"Isso é evidente. Os Espíritos
são individualizações do
princípio inteligente, como os corpos
são individualizações do
princípio material.O que desconhecemos
é a época e o processo dessa formação."
A criação dos Espíritos
é permanente ou verificou-se apenas na
origem dos tempos?
"Ela é permanente, o que quer dizer
que Deus jamais cessou de criar."
Os Espíritos se formaram espontaneamente
ou procedem uns dos outros?
"Deus os criou, como a todas as outras
criaturas, por sua vontade; mas, digo uma vez
mais, sua origem é um mistério."
É exato dizer que os Espíritos
são imateriais?
"Como se pode definir uma coisa quando
não dispomos de termos comparativos e
usamos uma linguagem insuficiente? Um cego de
nascença pode definir a luz? Imaterial
não é a palavra correta; incorpóreo
seria a mais exata, porque se deve compreender
que o Espírito, sendo uma criação,
deve ser alguma coisa. É uma matéria
quintessenciada, para a qual não há
analogias na Terra e tão etérea
que não pode ser percebida pelos sentidos
humanos."
Dissemos que os Espíritos são
imateriais, porque a sua essência difere
de tudo o que conhecemos pelo nome de matéria.
Um povo de cegos não teria termos para
exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença
acredita ter todas as percepções
pela audição, olfato, paladar
e tato. Ele não compreende a idéia
que lhe seria dada pelo sentido que lhe falta.
De igual maneira, no tocante à essência
dos seres super-humanos, somos como verdadeiros
cegos. Podemos defini-los apenas por comparações
sempre imperfeitas ou por um esforço
de nossa imaginação.
Os Espíritos terão um fim?
Compreendemos que o princípio de onde
emanam seja eterno, mas o que perguntamos é
se sua individualidade chegará a um termo
e se, num tempo determinado, mais ou menos longo,
o elemento do qual são formados não
se desagregará para retornar à
massa do qual saíram, como ocorre com
os corpos materiais. É difícil
compreender que uma coisa que tem começo
possa não ter fim.
"Existem muitas coisas que não se
compreendem, porque a sua inteligência
é limitada, mas isso não é
uma razão para as repelir. O filho não
compreende tudo o que compreende seu pai, nem
o ignorante tudo o que compreende o sábio.
Dissemos-lhe que a existência dos Espíritos
não tem um termo; é tudo o que
podemos dizer por ora."
O maior mandamento. Fazer aos outros o que
gostaríamos que os outros nos fizessem.
Parábola dos credores e dos devedores
- Dai a César o que é de César
- Instruções dos Espíritos:
a Lei de amor - O egoísmo - A fé
e a caridade - Caridade com os criminosos -
Deve-se expor a vida por um malfeitor?
O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. XI
- Amar o próximo como a si mesmo - O
maior mandamento
1. Os Fariseus, tendo sabido que ele tinha
feito calar aos saduceus, juntaram-se em conselho.
E um deles, que era doutor da lei, veio perguntar-lhe,
para tentá-lo: Mestre, qual é
o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu:
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma, e
de todo o teu entendimento. Este é o
maior e o primeiro mandamento. E aqui está
o segundo, semelhante ao primeiro: Amarás
ao teu próximo como a ti mesmo. Toda
a lei e os profetas estão encerrados
nesses dois mandamentos. (Mateus, XXII:34-40)
2. Fazei aos homens tudo o que quereis que
eles vos façam, pois esta é a
lei e os profetas. (Mateus, VII:12)
Tratai todos os homens, como quereríeis
que eles vos tratassem. (Lucas, VI:31)
3. O Reino dos Céus é comparado
a um rei que queria tomar contas aos seus servidores,
e começando a fazê-lo, apresentou-se-lhe
um que lhe devia dez mil talentos. Mas como
ele não tivesse meios de pagá-los,
seu senhor ordenou que sua mulher, seus filhos
e tudo o que ele tivesse, fosse vendido para
saldar a dívida. O servidor, lançando-se-lhe
aos pés, implorava, dizendo: Senhor,
tem um pouco de paciência e eu lhe pagarei
tudo. Então o senhor, tocado de compaixão,
deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida.
Mas esse mesmo servidor, mal tendo saído,
encontrou um de seus companheiros, que lhe devia
cem dinheiros. Tomou-o pela garganta e, quase
o sufocando, disse: Paga-me o que deves. E o
seu companheiro, lançando-se-lhe aos
pés, rogava, dizendo: Tem um pouco de
paciência e eu lhe devolverei tudo. Mas
ele não quis escutá-lo e, retirando-se,
mandou prendê-lo até que a dívida
fosse saldada.
Os outros servidores, seus companheiros, vendo
o que se passava, ficaram extremamente tocados
e advertiram o seu senhor de tudo o que tinha
acontecido. Então, o fez vir o seu senhor,
e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei a dívida
toda, pois vieste me implorar. Não devias
tu também ter piedade de teu companheiro,
como eu tive de ti? E seu senhor encolerizado,
o deixou nas mãos dos carrascos até
que pagasse tudo o que lhe devia.
É assim que meu Pai celestial vos tratará
se cada um de vós não perdoar,
do fundo do coração, as faltas
que o vosso irmão tiver cometido contra
vós. (Mateus, XVIII:23-35)
4. "Amar ao próximo como a si
mesmo; fazer pelos outros o que queremos que
os outros façam por nós",
é a expressão mais completa da
caridade, pois ela resume todos os deveres para
com o próximo. Não se pode ter
guia mais seguro, neste caso, do que tomando
por medida aquilo que desejamos para nós
mesmos. Com que direito exigiríamos de
nossos semelhantes bons procedimentos, indulgência,
benevolência e devotamento se nós
mesmos não os temos com eles? A prática
dessas máximas leva à destruição
do egoísmo. Quando os homens as tomarem
por regra de conduta e por base de suas instituições,
compreenderão a verdadeira fraternidade,
e farão reinar entre si a paz e a justiça.
Não haverá mais nem ódios
nem dissenções, apenas união,
concórdia e benevolência mútua.
O Livro dos Médiuns - cap. XX - pergunta
226 de 1 a 4- Influência Moral do Médium
226 - 1 - O desenvolvimento da mediunidade
se processa na razão do desenvolvimento
moral do médium?
- Não. A faculdade propriamente dita
é orgânica, e portanto independente
da moral. Mas já não acontece
o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mau,
segundo as qualidades de médium.
2- Sempre se disse que a mediunidade é
um dom de Deus, uma graça, um favor divino.
Por que, então, não é um
privilégio dos homens de bem? E por que
há criaturas indignas que a possuem no
mais alto grau e a empregam no mau sentido?
Todas as nossas faculdades são favores
que devemos agradecer a concede boa visão
a malfeitores, destreza aos larápios,
eloqüência aos que só a utilizam
para o mal. Acontece o mesmo com a mediunidade.
Criaturas para se melhorarem. Pensas que Deus
recusa os meios de salvação dos
culpados? Ele os multiplica nos seus passos,
coloca-os nas suas próprias mãos.
Cabe a eles aproveita-los. Judas, o traidor,
não fez milagres e não curou doentes,
como apóstolo? Deus lhe permitiu esse
dom para que mais odiosa lhe parecesse a traição.
3 - Os médiuns que empregam mal as
suas faculdades, que não as utilizam
para o bem ou que não as aproveitam para
a sua própria instrução,
sofrerão as conseqüências
disso?
Se as usarem mal, serão duplamente punidos,
pois perdem a oportunidade de aproveitar um
meio a mais de se esclarecerem. Aquele que vê
claramente e tropeça é mais censurável
que o cego que cai na valeta.
4- Há médiuns que recebem comunicações
espontâneas, quase freqüentemente,
sobre um mesmo assunto, tratando de certas questões
morais, por exemplo, relativas a determinados
defeitos. Terá isso algum fim?
Sim, e a finalidade é esclarece-los a
respeito do assunto constantemente repetido,
ou corrigi-los de certos defeitos. É
por isso que a uns os Espíritos falam
sempre do orgulho, a outros da caridade, pois
somente a insistência poderá por
fim abrir-lhe os olhos. Não há
médium empregando mal a sua faculdade,
seja por ambição ou interesse,
ou prejudiccando-a por um defeito essencial,
como o egoísmo, o orgulho, a leviandade,
e que não receba de tempos em tempos
alguma advertência dos Espíritos.
O mal é que na maioria das vezes ele
não a toma para si mesmo.
OBS.: Os Espíritos dão as suas
lições quase sempre com reserva,
de maneira indireta, para deixarem maior mérito
aos que as aproveitam.
Mas são tais a cegueira e o orgulho de
certas pessoas, que elas não reconhecem
nas lições recebidas. E ainda
mais: se o Espírito lhes dá a
entender que se referem a elas, zangam-se e
chamam o Espírito de mentiroso ou de
atrevido. Basta isso para mostrar que o Espírito
tem razão.
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