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O Livro dos Espíritos - Do princípio vital - Seres orgânicos e inorgânicos - livro primeiro - cap. IV- questões 60 a 67


Os seres orgânicos são aqueles que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida, apropriados às suas necessidades de conservação. Deles fazem parte os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são todos aqueles que não têm nem vitalidade, nem movimentos próprios e que são formados pela agregação da matéria, tais como os minerais, a água, o ar, etc.

É a mesma força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e inorgânicos?
"Sim, a lei da atração é a mesma para todos."

Existe uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e a dos corpos inorgânicos?
"É sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos ela é animalizada."

Qual é a causa da animalização da matéria?
"Sua união com o princípio vital."

O princípio vital reside em um agente particular ou é apenas uma propriedade da matéria organizada; em outras palavras, é ele o efeito ou a causa?
"É tanto um quanto o outro. A vida é um efeito produzido pela ação do agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam."

Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo; o princípio vital formaria um terceiro?
"É um dos elementos necessários constitutivos do Universo, mas tem a sua origem nas modificações da matéria universal. É um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio que, no entanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio."

Parece resultar disso que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, mas sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações desta?
"Essa é a conseqüência do que dissemos."

O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos?
"Ele tem sua origem no fluido universal; é o que se chama de fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o laço entre o Espírito e a matéria."

O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos?
"Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte - o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz."

A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou melhor, essa vitalidade desenvolve-se com o funcionamento dos órgãos?
"Desenvolve-se com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é a vida? É preciso que ambos se reúnam para produzir a vida."


O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V

Esquecimento do passado

11. É em vão que se assimila o esquecimento do passado como um impedimento ao aproveitamento da experiência das existências anteriores. Se Deus julgou conveniente lançar um véu sobre o passado, é porque isso deve ser útil. Com efeito, esta lembrança do passado traria inconvenientes muito graves. Poderia, em alguns casos, humilhar-nos singular-mente, ou então exaltar o nosso orgulho, e por isso mesmo dificultar o exercício do nosso livre arbítrio. De qualquer forma, traria perturbações inevitáveis às relações sociais.
O Espírito renasce, muitas vezes, no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que haja feito. Se nelas reconhecesse aqueles a quem odiou, este ódio talvez reaparecesse. Assim, ele se sentiria humilhado perante aqueles a quem tivesse ofendido.
Deus nos deu, para que melhorássemos, justamente o que nos é necessário e suficiente: a voz da consciência e nossas tendências instintivas; e nos retira o que poderia prejudicar-nos. O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida; pouco lhe importa saber quem foi: se está sendo punido, é porque praticou o mal e suas más tendências atuais são o indício do que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más tentações.
De resto, esse esquecimento somente existe durante a vida material. Retornando à vida espiritual, o Espírito recobra a lembrança do seu passado. Trata-se, portanto, de uma breve interrupção, como a que temos na própria vida terrena, durante o sono, e que não nos impede de lembrar, no dia seguinte, o que fizemos na véspera e nos dias anteriores. Da mesma maneira, não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode-se dizer que ele nunca a perde, pois a experiência prova que, na reencarnação, durante o sono do corpo, ele desfruta de uma certa liberdade e tem consciência de seus atos anteriores. Desta forma, ele sabe por que sofre, e que sofre justamente. A lembrança somente se apaga durante a vida exterior de relação. Mas na falta de uma lembrança precisa, que poderia ser-lhe penosa e prejudicial às suas relações sociais, ele haure novas forças nesses instantes de emancipação da alma, se souber dar-lhes o devido valor.

Instruções dos Espíritos

Perda de entes queridos. Mortes prematuras- Sanson, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863

21. Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens antes dos velhos, dizeis freqüentemente: Deus não é justo, pois sacrifica o que é forte e tem a vida pela frente, para conservar aqueles que já viveram longos anos repletos de decepções; leva os que são úteis, e deixa os que não servem para nada mais; fere o coração de uma mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria.
Criaturas humanas, é nisto que tendes necessidade de vos elevar, para compreender que o bem está normalmente onde credes ver o mal; a sábia previdência onde credes ver a cega fatalidade do destino. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos mundos queira, por um simples capricho, afligir-vos com penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e o que acontece, tem a sua razão de ser. Se examinardes melhor todas as dores que vos atingem, nela encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam uma consideração secundária, que relegaríeis ao último plano.
Acreditai-me, a morte é preferível, mesmo para alguém de vinte anos, a estes desregramentos vergonhosos que desolam as famílias honradas, ferem o coração de uma mãe, e fazem, antes do tempo, branquear os cabelos dos pais. A morte prematura é freqüentemente uma grande bênção que Deus concede àqueles que partem, e que se encontram, assim, preservados das misérias da vida, ou das seduções que poderiam acarretar a sua perda. Aquele que morre na flor da idade, não é vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.
É uma terrível desgraça - dizeis - que uma vida tão plena de esperanças seja tão cedo cortada. Mas, de quais esperanças quereis falar? Das esperanças da Terra, onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e riqueza? Sempre essa visão estreita, que não consegue se elevar acima da matéria. Sabeis qual teria sido o destino dessa vida tão cheia de esperanças segundo a sua ótica? Quem vos garante que ela não teria sido plena de amarguras? Menosprezais as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?
Alegrai-vos ao invés de vos lamentar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não há egoísmo em desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! Compreende-se essa dor entre aqueles que não têm fé e que vêem na morte a separação eterna. Mas, vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada de seu envoltório material. Mães, sabeis que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossas lembranças embriagam-lhes de alegria; contudo, também vossas dores insensatas os afligem, pois denotam uma falta de fé e são uma revolta contra a vontade de Deus.
Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vossos corações, chamando esses entes queridos; e se orardes a Deus para os abençoar, vós mesmos sentireis as consolações grandiosas que secam as lágrimas, e essas aspirações encantadoras, que vos mostrarão o futuro prometido pelo Soberano Senhor.



 
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