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O
HOMEM DE BEM – Evangelho Segundo o Espiritismo–
Cap. XVII
1) O verdadeiro homem de bem é aquele
que pratica a lei de justiça, de amor
e caridade, na sua maior pureza. Se interroga
a sua consciência sobre os propósitos
atos, pergunta se não violou essa lei,
se não cometeu o mal, se fez todo o bem
que podia, se não deixou escapar voluntariamente
uma ocasião de ser útil, se ninguém
tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos
outros tudo aquilo que queria que os outros
fizessem por ele.
Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua
justiça e na sua sabedoria; sabe que
nada acontece sem a sua permissão, e
submete-se em todas as coisas à sua vontade.
Tem fé no futuro, e por isso coloca os
bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas
as dores, todas as decepções,
são provas ou expiações,
e as aceita se murmurar.
O homem possuído pelo sentimento de caridade
e de amor ao próximo faz o bem pelo bem,
sem esperar recompensa, paga o mal com o bem,
toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica
sempre o seu interesse à justiça.
Encontra sua satisfação nos benefícios
que distribui, nos serviços que presta,
nas venturas que promove, nas lágrimas
que faz secar nas consolações
que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é
o de pensar nos outros, antes que em si mesmo,
de tratar dos interesses dos outros, antes que
dos seus. O egoísmo, ao contrário,
calcula os proveitos e as perdas de cada ação
generosa.
É bom, humano e benevolente para com
todos, sem distinção de raças
nem de crenças, porque vê todos
os homens como irmãos.
Respeita nos outros todas as convicções
sinceras, e não lança o anátema
aos que não pensam como ele.
Em todas as circunstâncias, a caridade
é o seu guia. Considera que aquele que
prejudica os outros com palavras maldosas, que
fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho
e o seu desdém, que não recua
à idéia de causar um sofrimento,
uma contrariedade, ainda que ligeira, quando
a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo
e não merece a clemência do Senhor.
Não tem ódio nem rancor, nem desejos
de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa
e esquece as ofensas, e não se lembra
senão dos benefícios. Porque sabe
que será perdoado, conforme houver perdoado.
É indulgente para as fraquezas alheias,
porque sabe que ele mesmo tem necessidade de
indulgência, e se lembra destas palavras
do Cristo: “Aquele que está sem
pecado atire a primeira pedra”.
Não se compraz em procurar os defeitos
dos outros, nem a pô-los em evidência.
Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre
o bem que pode atenuar o mal.
Estuda as suas próprias imperfeições,
e trabalha sem cessar em combatê-las.
Todos os seus esforços têm a permitir-lhe
dizer, amanhã, que traz em si alguma
coisa melhor do que na véspera.
Não tenta fazer valer nem o seu espírito,
nem os seus talentos, às expensas dos
outros. Pelo contrário, aproveita todas
as ocasiões para fazer ressaltar as vantagens
dos outros.
Não se envaidece em nada com a sua sorte,
nem com os seus predicados pessoais, porque
sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.
Usa mas não abusa dos bens que lhe são
concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito,
do qual deverá prestar contas, e que
o emprego mais prejudicial para si mesmo, que
poderá lhes dar, é pô-los
ao serviço da satisfação
de suas paixões.
Se nas relações sociais, alguns
homens se encontram na sua dependência,
trata-os com bondade e benevolência, porque
são seus iguais perante Deus. Usa sua
autoridade para erguer-lhes o moral, e não
para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo
quanto poderia tomar mais penosa a sua posição
subalterna.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres
da sua posição, e tem o escrúpulo
de procurar cumpri-los conscienciosamente.
O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes
todos os direitos que lhes são assegurados
pelas leis da natureza, como desejaria que os
seus fossem respeitados.
Esta não é a relação
completa das qualidades que distinguem o homem
de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las,
estará no caminho que conduz às
demais.
OS BONS ESPÍRITAS:
E.S.E – Cap. XVII
2) O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo
bem sentido, conduz forçosamente aos
resultados acima, que caracterizam o verdadeiro
espírita, como o verdadeiro cristão,
pois um e outro são a mesma coisa. O
Espiritismo não cria uma nova moral.,
mas facilita aos homens a compreensão
e a prática da moral do Cristo, ao dar
uma fé sólida e esclarecida aos
que duvidam ou vacilam.
Muitos, porém, dos que crêem na
realidade das manifestações, não
compreendem as suas conseqüências
nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem,
não os aplicam a si mesmos. Por que acontece
isso? Será por uma falta de precisão
da doutrina? Não, porque ela não
contém alegorias, nem figuras que possam
dar lugar a falsas interpretações.
A clareza é a sua própria essência,
e é isso que lhe dá força,
para que atinja, diretamente a inteligência.
Nada tem de misteriosa, e seus iniciados não
possuem nenhum segredo que seja oculto ao povo.
Seria necessária, então, para
compreendê-la, uma inteligência
fora do comum? Não, pois se vêem
homens de notória capacidade, que não
a compreendem, enquanto inteligências
vulgares, até mesmo de jovens que mal
saíram da adolescência, apreendem
com admirável justeza as suas mais delicadas
nuanças. Isso acontece porque a parte,
de qualquer maneira, material, da ciência,
não requer mais do que os olhos para
ser observada, enquanto a parte essencial exige
um certo grau de sensibilidade, que podemos
chamar de maturidade do senso moral, maturidade
essa independente da idade e do grau de instrução,
porque é inerente ao desenvolvimento,
num sentido especial, do espírito encarnado.
Em algumas pessoas, os laços materiais
são ainda muito fortes, para que o espírito
se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro
que as envolve impede-lhes a visão do
infinito. Eis por que não conseguem romper
facilmente com os seus gostos e os seus hábitos,
não compreendendo que possa haver nada
melhor do que aquilo que possuem. A crença
nos Espíritos é para elas um simples
fato, que não modifica pouco ou nada
as suas tendências instintivas. Numa palavra,
não vêem mais do que um raio de
luz, insuficiente para orientá-las e
dar-lhes uma aspiração profunda,
capaz de modificar-lhes as tendências.
Apegam-se mais aos fenômenos do que à
moral, que lhes parece banal e monótona.
Pedem aos Espíritos que incessantemente
as iniciem em novos mistérios, sem indagarem
se se tornaram dignas de penetrar os segredos
do Criador. São, afinal, os espíritas
imperfeitos, alguns dos quais estacionam no
caminho ou se distanciam dos seus irmãos
de crença, porque recuam ante a obrigação
de se reformarem, ou porque preferem a companhia
dos que participam das suas fraquezas ou das
suas prevenções. Não obstante,
a simples aceitação da doutrina
em princípio é um primeiro passo,
que lhes facilitará o segundo, numa outra
existência.
Aquele que podemos, com razão, qualificar
de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se
num grau superior de adiantamento moral. O Espírito
já domina mais completamente a matéria
e lhe dá uma percepção
mais clara do futuro; os princípios da
doutrina fazem vibrar-lhe as fibras, que nos
outros permanecem mudas; numa palavra: foi tocado
no coração, e por isso a sua fé
é inabalável. Um, é como
o músico que se comove com os acordes;
o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o
verdadeiro espírita pela sua transformação
moral, e pelos esforços que faz para
dominar suas más inclinações.
Enquanto um se compraz no seu horizonte limitado,
o outro, que compreende a existência de
alguma coisa melhor, esforça-se para
se libertar, e sempre o consegue, quando dispõe
de uma vontade firme.
DA VIDA ESPÍRITA
- Livro dos Espíritos (223 a 233)
223) A alma se reencarna imediatamente após
a separação do corpo?
Às vezes, imediatamente, mas na maioria
das vezes depois de intervalos mais ou menos
longos. Nos mundos superiores a reencarnação
é quase sempre imediata. A matéria
corpórea sendo menos grosseira, o Espírito
encarnado goza de quase todas as faculdades
do Espírito. Seu estado normal é
o dos vossos sonâmbulos lúcidos.
224 ) O que é a alma, nos intervalos
das encarnações?
Espírito errante, que aspira a um novo
destino e o espera.
224 .a) Qual poderá ser a duração
desses intervalos?
De algumas horas a alguns milhares de séculos.
De resto, não existe, propriamente falando,
limite extremo determinado para o estado errante,
que pode prolongar-se por muito tempo, mas que
nunca é perpétuo. O Espírito
tem sempre a oportunidade, cedo ou tarde, de
recomeçar uma existência que sirva
à purificação das anteriores.
224 .b) Essa duração está
subordinada à vontade do Espírito,
ou pode lhe ser imposta como expiação?
É uma conseqüência do livre-arbítrio.
Os Espíritos sabem perfeitamente o que
fazem, mas para alguns é também
uma punição infligida por Deus.
Outros pedem o seu prolongamento para prosseguir
estudos que não podem ser feitos com
proveito a não ser no estado de Espírito.
225) A erraticidade é , por si mesma,
um sinal de inferioridade entre os Espíritos?
Não, pois há Espíritos
errantes de todos os graus. A encarnação
é um estado transitório, já
o dissemos. No seu estado normal, o Espírito
é livre da matéria.
226) Pode-se dizer que todos os Espíritos
não-encarnados são errantes?
Os que devem reencarnar-se, sim; mas os Espíritos
puros, que chegam à perfeição,
não são errantes: seu estado é
definitivo.
No tocante às suas qualidades íntimas,
os Espíritos pertencem a diferentes ordens
ou graus, pelos quais passam sucessivamente,
à medida que se purificam. No tocante
ao estado, podem ser: encarnados, que quer dizer
ligados a um corpo; errantes, ou desligados
do corpo material e esperando uma nova encarnação
para se melhorarem; Espíritos puros,
ou perfeitos e não tendo mais necessidade
da encarnação.
227) De que maneira se instruem os Espíritos
errantes; pois certamente não o fazem
da mesma maneira que nós?
Estudam o seu passado e procuram o meio de se
elevarem Vêem, observam o que se passa
nos lugares que percorrem; escutam os discursos
dos homens esclarecidos e os conselhos dos Espíritos
mais elevados que eles, e isso lhes proporciona
idéias que não possuíam.
228) Os Espíritos conservam algumas das
paixões humanas?
Os Espíritos elevados, ao perderem o
seu invólucro, deixam as más paixões
e só guardam a do bem; mas os Espíritos
inferiores as conservam, pois de outra maneira
pertenceriam à primeira ordem.
229) Por que os Espíritos, ao deixar
a Terra, não abandonam as suas más
paixões, desde que vêem os seus
inconvenientes?
Tens nesse mundo pessoas que são excessivamente
vaidosas. Acreditas que, ao deixá-lo,
perderão esse defeito? Após a
partida da Terra, sobretudo para aqueles que
tiveram paixões bem vivas, resta uma
espécie de atmosfera que os envolve guardando
todas essas coisas más, pois o Espírito
não está inteiramente desprendido.
É apenas por momentos que ele entrevê
a verdade, como para mostrar-lhe o bom caminho.
230) O Espírito progride no estado errante?
Pode melhorar-se bastante, sempre de acordo
com a sua vontade e o seu desejo, mas é
na existência corpórea que ele
põe em prática as novas idéias
adquiridas.
231) Os Espíritos errantes são
felizes ou infelizes?
Mais ou menos, segundo os seus méritos.
Sofrem as paixões cujos germes conservaram,
ou são felizes, segundo a sua maior ou
menor desmaterialização. No estado
errante. O Espírito entrevê o que
lhe falta para ser feliz. É assim que
ele busca os meios de o atingir; mas nem sempre
lhe é permitido reencarnar à vontade,
e isso é uma punição.
232) No estado errante, os Espíritos
podem ir a todos os mundos?
Conforme. Quando o Espírito deixou o
corpo, ainda não está completamente
desligado da matéria e pertence ao mundo
em que viveu ou a um mundo do mesmo grau; a
menos que, durante sua vida, tenha se elevado.
Esse é o objetivo a que deve voltar-se,
pois sem isso jamais se aperfeiçoaria.
Ele pode, entretanto, ir a alguns mundos superiores,
passando por eles como estrangeiro. Nada mais
faz do que os entrever, e é isso que
lhe dá o desejo de se melhorar para ser
digno da felicidade que neles se desfruta e
poder habitá-los.
233) Os Espíritos já purificados
vêm aos mundos inferiores?
Vêm freqüentemente, a fim de os ajudar
a progredir. Sem isso, esses mundos estariam
entregues a si mesmos, sem guias para os orientar.
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